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Cantora Marlene deixa legado de artista sofisticada Marlene completaria 90 anos no dia 22 de novembro

Estado de Minas

Publicação: 14/06/2014 06:52 Atualização: 14/06/2014 11:31

 (Agência Brasil)

Rio de Janeiro
– A cantora Marlene, grande estrela da era do rádio no Brasil – anos 1940, 1950 e 1960 –, morreu nessa sexta-feira, no Rio de Janeiro. Marlene estava internada há alguns dias no Hospital Casa de Portugal por conta de uma queda em casa. Apesar do tratamento intensivo que recebeu, teve falência múltipla dos órgãos. Nascida Victoria De Martino Bonaiute, Marlene completaria 90 anos em 22 de novembro – era de 1924. Quando jovem, ela se parecia com a grande estrela do cinema Marlene Dietrich. Como já sonhava com a fama, ela mudou o nome para Marlene e se lançou, aos 13 anos, como cantora no programa Hora do estudante, da Rádio Bandeirantes, em São Paulo. Foi só o começo. Sem medo de romper com as convenções e os temores da família, foi para o Rio de Janeiro em busca do estrelato. A primeira parada, o Cassino Icaraí.

A trajetória da artista foi rápida, conquistando o público com sua presença em boates sofisticadas, como o Golden Room do Copacabana Palace e casas de shows, até chegar a crooner do Cassino da Urca, onde as coisas aconteciam. Marlene logo impôs seu estilo: vigor, sensualidade, expressionismo teatral. Era uma cantora que interpretava, dava vida às canções. O sucesso no circuito da noite não bastou à cantora, que tinha como meta chegar ao lugar mais disputado do mundo do espetáculo: a Rádio Nacional.

Logo magnetizou os fãs. Cantava de tudo, lançava compositores, era corajosa na escolha das canções, cantava o amor e a dor, o glamour e a pobreza. Gravou clássicos como Lata d’água na cabeça e Zé Marmita. Sempre em busca do novo, cantou baiões de Luiz Gonzaga e se apresentou com a Orquestra Tabajara. Logo se viu que era uma artista completa, não apenas uma bela voz. Marlene se tornou um estilo. A popularidade, no entanto, despertou a inveja de outras cantoras. Ela não deu bola e seguiu em frente.

PARIS Mas a maior rivalidade foi mesmo com Emilinha Borba, até então a Rainha do Rádio titular. Em 1949, Marlene assume o trono e cria uma competição que atravessou décadas. As duas cantoras representavam estilos próprios: Emilinha era suave, sentimental, apolínea; Marlene era intensa, passional, dionisíaca. Cada artista tinha seu fã-clube, o que dava ainda mais graça à disputa entre elas. As duas rainhas representavam dois modelos de arte e feminilidade, que elas souberam explorar muito bem, gerando um capítulo marcante da cultura popular brasileira. A artista tinha muitos méritos. Modulava bem a voz pequena, interpretava com talento dramático, buscava novos públicos – se apresentou com sucesso em outros países, inclusive dividindo o palco com Edith Piaf, em Paris – e chegou a comandar programas de rádio e trabalhar como atriz no cinema, no teatro e na televisão. Sempre seguida de perto pela entusiasmada “Família Marlenista”.

Em sua carreira, ela não quis saber de zona de conforto e se manteve sempre com espírito jovem. Superou o fim dos cassinos, foi além da era do rádio. Se ligou a jovens compositores, participou da montagem da Ópera do malandro, de Chico Buarque, fez shows com João Bosco no Projeto Pixinguinha, cantou com Gonzaguinha e foi até puxadora de samba-enredo pela Império Serrano.

Em 2003, fez shows nas lonas culturais do Rio de Janeiro e vendia pessoalmente seus discos nas praças públicas. Em 2007 lançou seu último disco, Marlene, a Rainha e os artistas do rádio e, em 2011, se tornou personagem do musical Emilinha e Marlene – As rainhas do rádio. O ciclo estava completo: a estrela se tornou uma personagem imortal.
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