Metroviários insistem em manter paralisação mesmo com multas

Nos últimos quatro dias de greve, cerca de 3,9 milhões de pessoas foram afetadas pelo movimento

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postado em 09/06/2014 07:35 / atualizado em 09/06/2014 08:27

Estado de Minas

AFP PHOTO/NELSON ALMEIDA

Em assembleia na tarde deste domingo, os metroviários de São Paulo decidiram manter a greve da categoria, iniciada na última quinta-feira. Nos últimos quatro dias, a paralisação afetou cerca de 3,9 milhões de pessoas e tem provocado transtornos. A decisão foi tomada após o julgamento da greve pelo Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), que considerou a paralisação abusiva e determinou uma multa de R$ 500 mil por dia, caso os metroviários não voltem imediatamente ao trabalho.

A manhã desta segunda-feira foi marcada pela expulsão dos grevistas das imediações da estação Ana Rosa, na Zona Sul da cidade. Durante a madrugada, os manifestantes atearam fogo em pneus e fizeram piquete na porta da entrada do metrô. Eles foram dispersados pela tropa de choque da PM, que usou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. A estação foi reaberta após a dispersão dos manifestantes. Menos da metade das 65 estações metroviárias estão abertas e a Companhia de Engenharia de Tráfego de SP registrou 144 quilômetros de lentidão.

Na assembleia desse domingo, o presidente do sindicato, Altino Melo Prazeres, discursou pela manutenção do movimento e atacou o governador Geraldo Alckmin (PSDB). “Com ou sem greve, pode haver demissões. O governador odeia a gente. Esses caras são financiados por empresas”, afirmou. “Tem uma Copa do Mundo, o maior evento esportivo do planeta. Estamos em um momento único. Tem também eleições no fim do ano. Os protestos do ano passado entraram na nossa mente”, disse Prazeres.

O dirigente também convocou uma nova assembleia para esta segunda-feira, às 13h. Durante a assembleia, quatro pessoas falaram a favor da greve e quatro se pronunciaram contra a greve. A continuidade da greve foi decidida pela maioria das pessoas presentes. Funcionários que falaram contra a continuidade da greve foram vaiados. “A nossa greve já é vitoriosa. Nós fomos à mesa de negociação, aceitamos conversar. Nós resolvemos jogar esse jogo e agora veio a decisão da Justiça”, disse um trabalhador.

Justiça
Na decisão desse domingo, a Justiça fixou o reajuste salarial da categoria em 8,7%, valor proposto pelo Metrô na última negociação. Atualmente, o piso salarial dos metroviários é de R$ 1.323,55. Inicialmente, o pedido de reajuste feito pelo sindicato era de 35,5%, valor escolhido por ser o mesmo que uma comissão do Senado aprovou para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio passado. Na quarta-feira (4), também em reunião no TRT, a categoria diminuiu o pedido para 16,5%. No dia seguinte, os trabalhadores baixaram a reivindicação para 12,2%.

Os metroviários têm conseguido aumentos salariais maiores que a inflação e que a média obtida pelos empregados do setor de transportes. Enquanto os empregados do setor tiveram 4,9% de aumento real entre 2011 e 2013, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese), os metroviários tiveram 6,26%.

As estações do metrô abriram as portas ontem com mais de uma hora de atraso. O horário normal para o início da circulação dos trens é às 4h30, mas com a greve dos metroviários as estações começaram a funcionar por volta de 6h. Na linha 1-azul, estão abertas as estações de Ana Rosa a Luz; na linha 2-verde, funcionam as estações de Ana Rosa a Vila Madalena; na linha 3-vermelha, os trens circulam da estação Bresser-Mooca à estação Marechal Deodoro. A linha 4-amarela, que opera sob concessão e por isso não foi afetada pela greve, tem circulação de trens interrompida entre as estações Faria Lima e Paulista neste domingo, devido a obras de expansão. A linha 5-lilás funciona normalmente.
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