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MP paulista apura denúncia sobre venda ilegal de órgãos para faculdades e hospitais

Publicação: 07/06/2014 00:12 Atualização: 07/06/2014 07:26

São Paulo – O Ministério Público de São Paulo está investigando denúncias sobre venda ilegal de órgãos para faculdades e hospitais particulares por funcionários do Serviço de Verificação de Óbitos Paulista (SVO), entidade que faz parte da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). A Promotoria suspeita que o serviço, que fica dentro do Hospital das Clínicas, seria omisso na busca por familiares de pessoas que morreram sem a presença de amigos ou parentes. Segundo investigação do MP, sem pedir autorização às famílias, o SVO conseguiria extrair e vender órgãos ilegalmente para uma rede de instituições de pesquisa e atendimento médico.

Segundo a Promotoria, pelo menos duas testemunhas que trabalham diretamente com o serviço alegaram ter presenciado a retirada e venda de órgãos de cadáveres não reclamados por parentes. Entidade estadual, o SVO é responsável por identificar, por meio de autópsias, as causas de mortes naturais de pessoas desacompanhadas – em geral ocorridas nas ruas ou em hospitais públicos – na cidade de São Paulo. Segundo o diretor do SVO, médico Luiz Fernando Ferraz da Silva, professor de patologia da Faculdade de Medicina da USP, os órgãos são retirados apenas “em situações específicas”. “Em geral, os corpos são sepultados em conjunto. Existem situações específicas em que os órgãos são utilizados, sempre com finalidade de pesquisa, e isso não se aplica a pacientes não reclamados”, afirmou.

A Promotoria ainda não tem certeza sobre a finalidade da suposta venda de órgãos. Até agora, a investigação aponta que eles seriam vendidos para uso em pesquisas – e não para transplantes. A investigação é conduzida pela promotora pública Eliana Vendramini, do Programa de Identificação e Localização de Desaparecidos (PLID).


EXEMPLOS


A taxista Maria Cecília Leão Correa teve o pai enterrado como indigente no Cemitério de Perus após passar pelo SVO, alvo de investigação do MP. Ela tentou transferir o corpo de Edson Araújo Leão, de 64 anos, para o jazigo da família, em Itapecerica da Serra, região metropolitana da capital, mas desistiu. “O coveiro disse que não valia a pena, pois ele havia sido enterrado sem nenhum órgão, totalmente irreconhecível, que havia sido enterrado, oco, numa cova rasa”, diz. Fez boletim de ocorrência na polícia e descobriu que o pai havia ficado internado por nove dias num hospital público. “No SVO, disseram-me que o corpo dele ficara 72 horas ali e que, como ninguém apareceu para identificá-lo ou buscá-lo, sendo enterrado em vala comum.” Ao procurar pelo nome do pai no livro de óbitos do cemitério, encontrou “sem querer” também o do sogro, enterrado três túmulos adiante ao de seu pai. “Ele era afastado da família, morava numa pensão, no Centro, e a gente nem sabia que ele havia morrido.”

 

Três mil corpos
“Os casos de Cecília são simbólicos porque mostram a dificuldade das famílias em identificar o paradeiro de parentes desaparecidos”, afirma Eliana Vendramini, promotora pública, do Programa de Identificação e Localização de Desaparecidos (PLID), que comanda a investigação. Segundo ela, cerca de 3 mil corpos de pessoas com documentos de identificação saíram das salas de autópsias do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de São Paulo direto para valas comuns em três cemitérios paulistanos nos últimos 15 anos.

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