Empresário conquista celebridades com o hábito de escrever correspondências

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postado em 02/06/2014 07:50

Correio Braziliense

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O hábito de se corresponder por cartas germinou no empresário Humberto Pellizzaro, 63 anos, ainda na infância, quando o pai dele deixou a família e a capital mineira para ajudar a erguer Brasília. Aos 10 anos, o garoto enviava mensagens ao pai para matar a saudade. Anos mais tarde, as leituras que o então estudante de engenharia elétrica fez da obra de George Ohsawa o inspirou a ampliar o universo de destinatários. Do pai e dos amigos próximos, ele passou a redigir missivas aos líderes políticos e a personalidades internacionais. As respostas recebidas o incentivaram a continuar a empreitada. Assim, são três décadas e mais de 300 destinatários de registros, que o homem considera um exercício de solidariedade e confiança.

O mote de Pellizzaro se assemelha ao de Ohsawa, que também distribuiu cartas pelo mundo. O japonês (leia Para saber mais) redigia para instigar as lideranças políticas a encontrarem uma solução para a paz, uma vez que propunha a construção de um governo mundial. As ideias do autor lançaram, inclusive, as bases para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Quanto ao brasileiro, a ideia de manter contato com os responsáveis por decisões na esfera pública era uma forma de contribuir para uma sociedade melhor. Ele procurou conterrâneos e estrangeiros e, curiosamente, recebeu mais retornos vindos do lado de fora da fronteira do que de dentro do território.

No rol de ilustres interlocutores, está o rei Hussein, da Jordânia. Na correspondência com o governante oriental, Pellizzaro saldou o interesse mútuo pelo radioamadorismo. “Escrevi para ele o lema dos radioamadores, que é ‘quem não vive para servir não serve para viver’. Ele respondeu-me que era muito entusiasmado com o hobby”. Posteriormente, os dois voltariam a se falar, dessa vez por meio do radiotransmissor. “Foram duas ou três vezes. Ele era muito acessível, respondia a todos”, destaca. As conversas cessaram quando o rei Hussein adoeceu, no fim da década de 1990. “Não quis incomodá-lo, pois ele estava lutando pela vida”, explica.

O contato postal se manteve também com embaixadores e até mesmo com a rainha Silvia, da Suécia, com quem o empresário pôde escrever em português. Como a soberana é brasileira, Pellizzaro aproveitou para conversar sobre a terra natal e as diferenças culturais observadas na Europa. “Ela me respondeu com um cartão oficial delicado”, conta. Para ele, o fato de figuras influentes responderem às cartas é uma forma de se despirem do peso que os cargos e as funções lhes impõem. “Acredito que elas gostem de receber o feedback de pessoas comuns, porque são pessoas que veem o resultado de suas ações, sem interesse próprio. Em geral, as lideranças estão sempre cercadas de assessores e de pessoas que esperam obter algo com a presença delas”, sugere.
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