Torcedor atingido por vaso sanitário é enterrado

Padrasto de Paulo Ricardo pediu justiça e falou que irá processar o Santa Cruz

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postado em 04/05/2014 15:29 / atualizado em 04/05/2014 16:09

Diário de Pernambuco

 (Bernardo Dantas/DP/D. A Press)

"Não deixa ele ir embora. Fica Paulinho. Fica. Volta pra casa." A dor de Joelma Valdevino, mãe do torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, assassinado na última sexta-feira ao ser atingido por um vaso sanitário jogado de dentro do Arruda não se mede. Às 14h40, quando o caixão foi colocado em uma das sepulturas do Cemitério de Santo Amaro, ela, que chegou a desmaiar durante o velório, continuava a pedir o impossível. "Volta Paulinho. Volta". Ele não vai voltar. Foi tirado da sua mãe de forma estúpida. Tendo o futebol como pano de fundo.

Na última despedida, o choro de dona Joelma foi dividido com o de muitos familiares e amigos. Torcedores também estiveram presentes. Muitos da uniformizada do Sport a que Paulo fazia parte. No momento em que o caixão foi colocado na sepultura, gritos de guerra do Sport e da organizada foram entoados. Mas a dor de dona Joelma não é a de quem perde um jogo, um título, um torcedor. Era a dor de quem perdia um filho. Gritos de "justiça" também foram entoados.

Pouco antes, Jonatas Batista, tio de Paulo, pedia paz para os integrantes da Uniformizada do Sport presentes ao enterro. "Vocês, por favor, não espalhem mais violência. Não façam famílias chorarem. Hoje, é uma família que chora, mas com o aumento da violência, outras vão chorar também. Isso só espalha mais dor. Não cobrem por favor. Não aumente o choro de uma duas ou mais familias. A violência só gera três coisas: dor, choro e mais violência", pedia.

Amparada pelos familiares, Dona Joelma deixou o cemitério. A contragosto. Não queria se separar do filho. "Me deixem aqui. Quero ficar aqui". Quando chegar em casa, Paulinho não estará mais a sua espera.

 (Bernardo Dantas/DP/D. A Press)

Indignação 

Poucas pessoas acompanharam o velório no começo desta manhã. Da porta da capela do Cemitério de Santa Amaro, Maurício Francisco de Oliveira, padrasto de Paulo Ricardo, ainda estava indignado com a morte. Revolta direcionada ao presidente do Santa Cruz, Antônio Luiz Neto.

"A gente continua indignado. E ainda por cima o presidente do Santa Cruz fala que não tinha ninguém dentro do estádio na hora do acidente? Como pode ele falar isso? Ele tinha que ser punido também. Isso é um absurdo. Não era nem para ser presidente de um clube”, desabafou.

Sem entender os motivos da morte, o padrasto fez um pedido. “Por que na Arena Pernambuco tem pessoas que tomam conta dos banheiros e no Arruda e na Ilha não têm? Deveriam ter."

Pedindo justiça, Maurício declarou que vai utilizar todas as medidas judiciais possíveis. E o Santa Cruz também deverá ser processado. “A gente está querendo justiça, principalmente com quem fez isso. Mas com o clube também. Como pode o presidente abrir a boca pra falar isso?”, indagou.

 

Assista

A Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco divulgou neste sábado as imagem feitas pelas câmeras localizadas na rua Petronila Botelho que mostra o exato momento em que o torcedor Paulo Ricardo Gomes foi atingido na cabeça por um vaso sanitário atirado das arquibancadas do Arruda. As imagens desmentem as informações iniciais de que a vítima estaria envolvido em uma briga com outros torcedores. As imagens mostram torcedores do Paraná Clube andando e sendo escoltados por policiais militares. 

 

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