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Erro em pesquisa sobre estupro foi 'acidente', diz Ipea

Agência Estado

Publicação: 15/04/2014 21:07 Atualização:

Brasília, 15 - O diretor de Estudos e Políticas do Estado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira, defendeu nesta terça-feira, 15, a postura da instituição que reconheceu o erro na pesquisa sobre percepção dos brasileiros em relação ao estupro. O equívoco, que culminou na demissão de Rafael Osório da direção do Ipea, foi um "acidente" que pode ajudar a melhorar o funcionamento do instituto, de acordo com Cerqueira.

Em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o diretor comparou a falha do Ipea à queda de um avião, lembrando que a fatalidade serve para mudanças na indústria aeronáutica com o intuito de evitar acidentes semelhantes. Segundo Cerqueira, o Ipea vem promovendo uma revisão do controle interno de qualidade, justamente para que novos enganos desse porte não aconteçam no futuro.

No mês passado, o Ipea divulgou uma pesquisa indicando que ampla maioria da sociedade chancelava uma visão de que a postura da mulher incentiva crimes de estupro. De acordo com o levantamento do instituto, 65% dos brasileiros concordavam total ou parcialmente com a formulação de que mulheres mereciam ser atacadas quando usavam roupas que mostram seu corpo. O índice estava errado.

Após avaliação interna, o próprio Ipea informou que a taxa na verdade era de 26% -apesar de bem menor, ainda representa um em cada quatro brasileiros pensando desta forma. O alto índice de preconceito contra a forma de vestir das mulheres estourou nas redes sociais e tornou-se uma campanha de protesto. Até a presidente Dilma Rousseff comentou publicamente a necessidade de a sociedade brasileira reduzir a violência contra a mulher.

O diretor do Ipea chamou atenção para outro dado da pesquisa. De acordo com o levantamento, 58,5% dos entrevistados concordam que haveria menos estupros se as mulheres soubessem se comportar - outro preconceito nítido. "Há uma inversão de papéis entre vítimas e culpados. A culpa passa a ser da vítima e não do algoz", apontou Cerqueira.

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