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USP: alunos protestam contra docente que defendeu golpe

Agência Estado

Publicação: 01/04/2014 18:31 Atualização:

São Paulo, 01 - Uma aula em comemoração ao golpe de 1964, realizada na noite desta segunda-feira, dia 31, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), motivou um protesto de alunos da graduação da unidade. Vestidos com capuzes pretos e camisas manchadas de vermelho, em alusão à violência da ditadura, alunos ocuparam a sala no momento em que o professor Eduardo Gualazzi lia o discurso intitulado "Continência a 1964".

Na aula, o professor Gualazzi lia o documento, de sua autoria, em que afirma que "tiranias vermelhas terminaram afogadas no holocausto de sangue humano e corrupção", além de indicar que em 1964 o "socialismo esquerdista totalitarista" almejava tomar o poder do Brasil. Na sequência, jovens entram na sala cantando Opinião, de Zé Ketty, acompanhados de tambores. O professor tenta retirar os capuzes dos alunos, mas depois se retira da sala.

A estudante Erica Meireles, do 3º ano de Direito, uma das participantes do ato, diz que o professor Gualazzi já é conhecido na faculdade por se referir ao golpe de 1964 com "revolução". "Ele pode pensar o que quiser, mas não utilizar a cadeira de professor como instrumento para isso", diz ela. "Nossa intervenção se deu de modo artístico, político, não fomos para agredi-lo. Não quisemos expulsá-lo da sala, mas ele não quis debater com a gente." Gualazzi é professor associado no departamento de Direito do Estado, área de Direito administrativo. A reportagem procurou o docente na Faculdade, mas não obteve retorno.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Lúcio de Souza-Coelho
"Não quisemos expulsá-lo da sala, mas ele não quis debater com a gente." Quer dizer então que se um bando de meninos indisciplinados entra na sala de aula fazendo carnaval - fantasiados e cantando - isso deve ser interpretado como um convite para o debate? Fascinante. | Denuncie |

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