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Defesa leva famílias de PMs a júri do Carandiru

Agência Estado

Publicação: 31/03/2014 21:19 Atualização:

São Paulo, 31 - Parentes e amigos dos 15 policiais militares acusados de matar oito dos 111 detentos assassinados no Carandiru em 1992, que começaram a ser julgados nesta segunda-feira, 31, adotaram a estratégia de abordar os jurados na porta do Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. “Ei, você, que pode ser jurado, absolva já”, disse o deputado estadual major Olímpio, antes da escolha dos seis homens e uma mulher, entre 25 convocados, que formaram o corpo de jurados. Havia cartazes contra o “massacre dos PMs” e um boneco fardado deitado no chão como se estivesse morto, com tinta vermelha e uma cruz.

Após a condenação de 58 réus nos três primeiros julgamentos, a defesa decidiu que os familiares deveriam participar. PMs cadeirantes, feridos em ação, também estiveram na plateia. “Pediram para que nós não viéssemos no outro (júri). Agora, já pediram que a gente viesse. Nós temos vontade de nos manifestar”, disse Rute Salgado, mulher do coronel reformado desde 2010 Ariovaldo Sérgio Salgado, que liderou os policiais do Comando de Operações Especiais (COE) no dia da invasão ao Carandiru, no terceiro andar do Pavilhão 9.

“Estou indignada com os resultados anteriores. Todos esses que estão sendo julgados hoje se dedicaram a vida inteira à PM. Ele (Salgado) sempre foi um homem correto na carreira.”

Salgado, de 57 anos, trabalhou na PM desde os 15 anos e foi reformado em 2010, quando era chefe de gabinete do então comandante-geral, Alvaro Batista Camilo. Nesta segunda, ele foi o primeiro a ser interrogado e, assim como os demais, apenas respondeu às perguntas do juiz. Sua mulher não assistiu à fala do marido.

Condenação.

Uma das perguntas feitas pela Promotoria que o réu deixou de responder é se ele já havia sido condenado por homicídio em um Tribunal do Júri. Em março, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que o júri, pelo qual Salgado havia sido condenado por 6 anos e 6 meses no regime semiaberto pela morte de um homem, em Guarulhos, em 1981, deveria ser suspenso. A vítima fugiu para casa da mãe, de onde foi levada algemada até ser morta em um terreno baldio, depois de um suposto confronto onde teria dado tiros contra a PM, segundo a versão da polícia. O novo julgamento está marcado para 8 de abril.

O tenente-coronel Armando da Silva Moreira, terceiro a ser interrogado, chegou a responder também às perguntas da Promotoria, mas contradisse os colegas, afirmando que usava um colete. Ele foi o único a admitir que revidou com tiros e fez um detento cair. A previsão do juiz Rodrigo Tellini, por volta das 20h de ontem, era de que a audiência fosse suspensa somente quando todos os réus fossem interrogados. Até as 21h, isso só tinha sido feito com quatro dos 15 PMs.

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