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Seca em São Paulo já desencadeia conflito

Agência Estado

Publicação: 31/03/2014 11:31 Atualização:

Yokohama, 31 - O pesquisador argentino radicado no Brasil José Antonio Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coordenou o capítulo sobre América Central e do Sul e também fez parte do grupo que elaborou o Sumário para Formuladores de Políticas. Ele fala das novidades, dos mais vulneráveis e do que podemos esperar para o continente.

Qual é a principal novidade desse relatório?

Marengo - Alguns aspectos regionais ficaram mais claros: o que podemos esperar de impactos e como lidar com eles. Foi criada uma classificação do tamanho do impacto com e sem adaptação. Um determinado risco pode ser menor com adaptação. Já para outros, não há o que fazer. Por exemplo, se acabar a água das geleiras andinas, teremos de buscar outras fontes. É um problema que vai desencadear conflitos. Pense na seca em São Paulo. O governador paulista quer usar água do Rio Paraíba do Sul e o do Rio não quer deixar. Não é uma guerra, mas é uma forma de conflito.

Mas não pode haver uma guerra de verdade por água?

Marengo - No passado tivemos guerras por recursos naturais - e a água é o principal deles. Mas aqueles saques que vemos no Nordeste são uma forma de conflito. Não temos de esperar pelo futuro, já está acontecendo em algumas áreas, principalmente nas mais vulneráveis - que são as mais pobres. Aí entram as discussões sobre adaptação, que deveriam ser patrocinadas pelos governos e pelo setor privado. Não há uma fórmula única de adaptação, e isso é o que torna tudo mais complexo.

O relatório traz muitas mensagens sobre os impactos num cenário de mais 4°C de aumento de temperatura. O painel acha que esse é o cenário mais provável?

Marengo - A questão dos 4°C é um caso de futuro que não queremos. Pode ser difícil entender quando falamos em cenário, mas não quando citamos 4°C a mais: é quente demais, pode ter impactos em muitos lugares. As mensagens do sumário falam o que pode acontecer com os 4°C a mais, como um nível mais catastrófico.

E quanto ao capítulo sobre América Central e do Sul, há mudanças em relação a 2007?

Marengo - Identificamos um maior número de impactos; não só enchentes, inundações, secas e danos a ecossistemas, mas também impactos sociais, nas áreas urbanas. As mulheres aparecem como as mais vulneráveis, pois, em muitos casos, permanecem em casa. Não veem quando uma enchente ou um deslizamento está chegando.

Também mudou a percepção de como a Amazônia será afetada.

Marengo - Sim, o risco de savanização ficou um pouco afastado. Era um modelo que mostrava aquilo. Depois, novos modelos apontaram que pode haver uma redução de chuvas, mas é justamente na parte do arco do desmatamento, que já está mais degradada. O que se imagina agora é que mesmo que haja uma mudança na vegetação, não seria para uma savana. Publiquei com um grupo inglês um estudo sobre a Amazônia na revista Nature, e a conclusão é que a floresta é mais resiliente do que achávamos. É uma boa notícia, mas não nos livramos do problema. Voltar a ter grandes taxas de desmatamento pode levar ao pior cenário.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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