Violência dentro das escolas do DF assusta alunos e professores

Comandante do Batalhão Escolar afirma que pais, docentes, diretores, funcionários e o próprio governo precisam também fazer sua parte no combate ao crime

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Nas mochilas, revólveres, facas e estiletes dividem espaço com os livros. Adolescentes são baleados no pátio da escola. Professores recebem ameaças de morte de alunos. Quando não protagonizam atos de violência, os estudantes são vítimas dela. O ataque de criminosos a caminho do colégio é rotineiro e assombra toda a comunidade escolar.

Os relatos obtidos são fruto de entrevistas realizadas ao longo de duas semanas com professores, diretores, alunos, pais e policiais civis e militares. A reportagem percorreu escolas em oito regiões: Brasília, Ceilândia, Paranoá, Guará, Taguatinga, Arapoanga e Planaltina. Em algumas delas, enfrentou a resistência dos profissionais em falar sobre o assunto.

Pela gravidade dos fatos ocorridos recentemente, o Centro Educacional Caseb, no Plano Piloto, e o Centro de Ensino Fundamental 209 (CEF 209), em Santa Maria, foram as primeiras instituições procuradas. Em 28 de fevereiro, João*, 14 anos, levou um tiro nas costas no pátio do Caseb, localizado em área nobre de Brasília, na 909 Sul. Ninguém de fora invadiu o estabelecimento. Os disparos foram efetuados por dois alunos que queriam se vingar da vítima. Em Santa Maria, Pedro*, de 15 anos, foi baleado no pé dentro do CEF 209 por dois homens que entraram pela porta da frente. As marcas estão evidentes no corpo dos dois, mas as cicatrizes estão em todo um sistema.

Nem mesmo a unidade do Batalhão Escolar, dentro da instituição, impediu a tentativa de assassinato contra João. Para Miriam Abromovay, especialista em violência escolar, isso é uma prova de que apenas a polícia não é solução para problema. “A escola se tornou desinteressante para os alunos. Eles precisam se sentir parte da construção do saber para zelar por ele.”
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