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Réplica da Promotoria retoma julgamento do Carandiru

Agência Estado

Publicação: 19/03/2014 11:49 Atualização:

São Paulo, 19 - Os sete jurados do júri pelas mortes no quarto andar do Pavilhão 9 do Carandiru, onde 111 presos foram mortos em outubro de 1992, devem decidir sobre a condenação dos PMs ainda nesta quarta-feira, 19. A audiência foi retomada às 9h30 com a parte final dos debates, em que cada lado terá até duas horas para convencer o júri sobre a absolvição ou condenação dos dez PMs do Grupo de Ação Tática Especial (Gate) acusado de ter matado dez detentos e de ter cometido tentativa de homicídio contra outros três. A Promotoria, porém, já pediu na terça a absolvição por duas dessas mortes.

A sessão de terça-feira, 18, foi usada para os debates de defesa e acusação, suspensos à noite por recomendação médica ao juiz, diagnosticado com uma infecção na garganta.

Após o interrogatório de todos os réus - que negaram em conjunto aos jurados terem entrado no quarto andar da unidade prisional - o principal ponto de controvérsia entre a Promotoria e o defensor Celso Vendramine se tornou qual a versão verdadeira: a da denúncia desde o início do processo, de que o Gate subiu até o último piso, ou a resposta dos réus no plenário, de que nunca estiveram lá.

Vendramine sustentou que no mesmo mês do massacre, os acusados já declararam à Justiça Militar que só estiveram até o terceiro andar do presídio. A explicação, para o defensor, é que houve uma confusão do Ministério Público com o termo pavimento e andar, jamais sanada nestes quase 22 dois anos de caso em aberto. O terceiro andar corresponde ao quarto pavimento do edifício.

"O júri não acabou. Tem mais quatro horas de debate. Eu não vou falar, fazer juízo de valor ao que o advogado disse. Isso cabe à fase da réplica. O que posso dizer é o seguinte: nenhuma novidade, nenhuma surpresa, só muita mentira, muita bobagem e muita apelação. Amanhã (hoje) nós vamos fazer o contraponto e os jurados vão decidir certamente no caminho da condenação", afirmou na quarta-feira à noite o promotor Márcio Friggi, logo após a suspensão da audiência.

Vendramini usou um dos vídeos divulgados na prisão de Pedrinhas, no Maranhão, no ano passado, onde presos foram decapitados por outros detentos em uma rebelião. Seu discurso foi de que eram esse tipo de pessoas violentas que os réus tinham que lidar ao ingressar no Pavilhão 9, sob risco de vida e para cumprir um dever legal. As imagens chocaram a plateia. " Quis demonstrar ao jurados Pedrinhas onde presos matam presos", explicou o advogado. Segundo ele, os promotores afirmaram que os detentos do Carandiru não haviam matado nenhuma das vítimas.

Ex-integrante da Ronda Ostensiva Tobias Aguiar (Rota) na década de 1980, Vendramine trabalhou com a filosofia de que "bandido bom, é bandido morto" e reclamou das políticas de Direitos Humanos que protegeriam criminosos e poderia pôr policiais de longa carreira sob o risco de serem presos ao cumprirem seu trabalho.

"Nós temos que tirar o chapéu para esses homens, nós temos que dar medalhas a esses homens. Imagine aquele terror, aquela coisa horrorosa que estava acontecendo dentro daquela casa de detenção, mais de 2.000 presos amotinados", disse o advogado ao júri. "Eu prefiro um bandido morto do que um policial ferido", concluiu.

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