Paciente com artrite não sabe que doença é irreversível

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postado em 18/03/2014 17:07

Agência Estado

Punta del Este, 18 - A maioria dos pacientes que sofrem de artrite reumatoide não sabe que as lesões nas articulações provocadas pela doença são irreversíveis, mostra pesquisa divulgada nesta terça-feira, 18, no Congresso da Liga Panamericana das Associações de Reumatologia (Panlar), em Punta del Este, Uruguai. Doença crônica e autoimune, a artrite reumatoide atinge cerca de 2 milhões de brasileiros e pode levar à incapacidade e até à morte.

O levantamento, o maior já realizado no mundo sobre a doença, aponta que, na América Latina, 55% dos entrevistados não sabiam que as lesões que comprometem as articulações não podem ser revertidas. Além disso, 43% dizem acreditar que a doença não é tão séria quanto outros problemas crônicos, como o diabetes e a hipertensão arterial. No Brasil, o índice chega a 46%, quase o dobro do observado no resto do mundo (24%).

Apesar da desinformação, 88% dos entrevistados acreditam ter boa compreensão sobre a importância de manter a doença controlada e outros 61% disseram estar bem informados sobre como fazer isso. "Esses dados são preocupantes porque mostram que o paciente acha que compreende bem a sua doença, mas não sabe coisas básicas sobre ela. Sem essas informações, fica mais difícil de fazermos com que ele siga o tratamento e mantenha a doença controlada", afirma o reumatologista Roger A. Levy, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e membro do comitê que coordenou a pesquisa na América Latina. No continente, foram ouvidos 1.032 pacientes. Em todo o mundo, foram mais de 10 mil entrevistados.

Controle.

O médico ressalta ainda que a artrite reumatoide pode ter complicações tão graves quanto às demais doenças crônicas e que, por mais que ela não tenha cura, precisa estar controlada. No entanto, muitos pacientes pensam que só devem tomar a medicação quando sentem dor. De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados dizem acreditar que sua doença está controlada quando não manifestam o sintoma. "Essa percepção prejudica o paciente. Se ele para de tomar a medicação quando não sente dor, a doença pode evoluir e provocar as lesões irreversíveis, que vão causar deformidades e incapacidade de funções em vários membros, sobretudo nas mãos", alerta o especialista.

Líder de um grupo de pacientes, a universitária Priscila Torres, de 33 anos, diz que o comportamento de buscar ajuda apenas no momento da dor é comum. "Muita gente procura nosso grupo da internet, faz desabafos, tira as dúvidas, e quando a crise passa, apaga tudo e desaparece, como se acreditasse que a doença pudesse sumir", diz ela.

Para Levy, a falta de informação não é culpa do paciente. "Temos que fornecer informação de qualidade para ele e estabelecer uma relação de maior igualdade. Como médico, não posso apenas impor o tratamento ao paciente sem ouvir a opinião dele", disse. Com a desinformação constatada pela pesquisa, associações médicas, grupos de pacientes e indústria farmacêutica lançaram uma campanha para melhorar a educação daqueles que possuem artrite reumatoide. Batizada de "AR: Juntos Por Esta Causa", a iniciativa disponibiliza informação em uma página da internet (www.despertarbrasil.com.br) e elaborou um guia para que os pacientes estabeleçam um diálogo com o médico para que ambos possam decidir, juntos, um plano de tratamento viável e que o paciente possa seguir.
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