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Acusação ouve perito em julgamento do caso do Carandiru

Agência Estado

Publicação: 17/03/2014 17:19 Atualização:

São Paulo, 17 - A acusação dos dez PMs julgados nesta segunda-feira, 17, no caso do Carandiru dispensou uma testemunha e terminou de tomar o depoimento do perito Osvaldo Negrini Neto. Por volta das 16h30, encerravam-se também as oitivas das testemunhas de defesa. Negrini permaneceu no fórum a pedido de advogados dos réus, para eventuais questionamentos. O perito aposentado manteve a versão dada nos outros dois julgamentos na qual a PM dificultou a entrada da perícia na data dos assassinatos, em outubro de 1992.

A testemunha afirmou que havia sinais de que os detentos foram alvejados por rajadas de metralhadora, que foram posicionadas para dentro das celas. "Isso se deve à grande quantidade de disparos e à distância constante entre um tiro e outro", disse Negrini.

Além disso, de acordo com o perito, as marcas na parede estavam aglutinadas e tinham resquícios de cobre, compatíveis com projéteis de metralhadoras. Segundo a testemunha, as marcas de tiros dentro das celas mostram que houve disparos contra os presos. "Podemos supor com uma segurança muito grande que esses buracos que aparecem dentro das celas eram dos tiros que acertaram as vítimas", disse. A acusação tentou desqualificar a perícia questionando se Negrini havia documentado todo o encaminhamento do material recolhido para análise. Negrini respondeu que, como perito, tinha fé pública e podia fazer o transporte das provas pessoalmente.

Defesa.

Como testemunhas de defesa, foram ouvidos o juiz corregedor dos presídios da capital na época do crime, Fernando Torres, e o agente penitenciário Maldinei de Jesus. Torres afirmou que uma sindicância constatou que a entrada da PM era necessária, mas "houve excessos". A outra testemunha disse que os presos mais perigosos ficavam em outras áreas do Carandiru - não no local onde ocorreram as mortes.

Julgamento.

A quarta etapa do julgamento do massacre do Carandiru começou na manhã desta segunda-feira, 17. A etapa anterior havia sido interrompida quando o advogado dos policiais envolvidos no caso, Celso Vendramini, se ausentou do júri.

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