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Frevo ganha museu em Recife O complexo de três andares que custou R$ 13,2 milhões, sendo R$ 2,25 milhões da prefeitura e o restante de patrocinadores foi inaugurado no dia 9 de fevereiro

Agência Estado

Publicação: 03/03/2014 09:20 Atualização:

Ninguém entendeu o que aconteceu no verão de 1957, quando um frevo de bloco atrevido de Nelson Ferreira rompeu as correntes que deveriam prendê-lo ao Recife e invadiu o Rio de Janeiro como um abre-alas na contramão, desbancando o samba em pleno carnaval. Uma ousadia histórica. Não há teoria que explique o que fez os versos difíceis de Evocação serem os mais cantados no País naquele ano.

Os mistérios e os dilemas do frevo talvez sejam tão fascinantes quanto as multidões que ele reúne no Marco Zero do Recife. Algumas perguntas sobre um dos ritos culturais de massa mais poderosos do País têm respostas nem sempre complementares. Outras, abrem teses sem-fim.

Quando e como surgiu, apesar do muito que se sabe a respeito, são desafios para historiadores. Por que não se internacionalizou ou, antes disso, não tomou o País como fez o samba é uma questão maior. “Ao contrário do samba, nem todo mundo canta ou toca frevo. É preciso saber muito de música”, diz o pesquisador e jornalista José Teles. “O frevo nunca vai alcançar o samba porque o Nordeste não tem o poder econômico do Sul”, fala Alceu Valença. “O baião e o samba conseguiram se livrar (de suas festas de origem). O frevo precisa se libertar do carnaval”, pensa Antonio Nóbrega.

A boa notícia que vem do Recife é a de que o frevo, agora, tem casa. Mais do que um museu que celebre o passado, o Paço do Frevo, no Bairro do Recife, veio para, como diz um texto que justifica sua existência, “salvaguardar e perpetuar” suas riquezas. Em um complexo de três andares que custou R$ 13,2 milhões, sendo R$ 2,25 milhões da prefeitura e o restante de patrocinadores, convivem, desde o dia 9 de fevereiro, salas de vídeo e de exposições de estandartes do passado com aulas de dança e de música do frevo do futuro. “Agora, o que precisamos é formar músicos especializados nesta linguagem, o que não temos ainda”, diz o saxofonista Spok, da Spokfrevo Orquestra, que vai responder pelos cursos de música no projeto.

A própria existência do Paço é sintoma de uma operação de salvaguarda. Antes que o prédio fosse entregue à Fundação Roberto Marinho, que concretizou o projeto, uma equipe de técnicos liderada pela pesquisadora Carmen Lélis foi às ruas saber a realidade do frevo e criar, a partir daí, um programa que justificasse a existência do quartel-general. Músicos, maestros, dançarinos e compositores falaram de suas angústias e abriram as primeiras sombrinhas vermelhas. 1.) A divulgação do ritmo nas mídias é pífio, comparado a outras manifestações surgidas na mesma base popular. 2.) Acervos e partituras estavam inacessíveis em 27 arquivos públicos e privados e guardados muitas vezes de forma precária. 3.) Os músicos, que antes tinham relações afetivas com as agremiações, tocam hoje onde forem chamados.
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