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Morre Glênio Bianchetti, artista plástico e um dos fundadores da UnB A convite de Darcy Ribeiro, o mestre veio para Brasília na década de 1960. Considerado um dos artistas brasileiros mais completos da atualidade, colaborou na criação do Museu de Arte de Brasília

Correio Braziliense

Publicação: 18/02/2014 17:20 Atualização: 18/02/2014 17:31

 (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)

Um dos artistas plásticos mais importantes da arte brasileira contemporânea, Glênio Bianchetti morreu, aos 86 anos, na noite desta terça-feira (18/2) e deixou a mulher, Ailema, e seis filhos. A causa da morte foi hemorragia interna, em decorrência de cateterismo realizado no final da última semana, no Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul. Não haverá velório e o corpo será cremado nesta quarta-feira (19/2), em Valparaíso. Uma missa deve ser celebrada no domingo, na Igreja São Francisco, para aqueles que quiserem se despedir do artista, segundo informações da família.

Gravador, pintor, ilustrador e professor da Universidade de Brasília (UnB), Bianchetti era considerado um dos artistas brasileiros mais completos da atualidade. Bianchetti deixou o Rio Grande do Sul e mudou-se para capital federal em 1962 atendendo a um convite do professor Darcy Ribeiro.

Lecionou na UnB, onde foi responsável pela criação do Ateliê de Arte e o Setor Gráfico. Porém, foi demitido durante o governo militar e só foi readmitido na Universidade em 1988. Bianchetti sempre foi um humanista e usou a arte com esse fim. O gaúcho criou um dos cartazes da campanha da Diretas Já, durante a década de 1980.

"Hoje a nossa alegria foi embora. Papai do céu levou o homem mais incrível do mundo. É difícil falar, é difícil pensar e é muito difícil acreditar nessa perda. A única coisa que eu consigo pensar é no homem maravilhoso ele era, o homem que só nos enchia de alegria, orgulho e carinho. Eu vou sentir muito a falta disso tudo, vou sentir muita falta do seu carinho, vô! O que me conforta são as lembranças que tenho de você, a lembrança do homem mais fabuloso que conheci, a lembrança do seu riso, a lembrança desse casal mais lindo do mundo juntos, a lembrança das coisas que você falava, que nos fazia tanto rir. Hoje, estamos sofrendo muito. Com a saudade doendo no peito e as lembranças fazendo massagem no nosso coração. E são com essas lembranças que sabemos, vô, que você foi o cara mais incrível do mundo! Te amo demais! Vou sentir muita falta desse meu vô maravilhoso! Descanse em paz, nosso guri"
- Julia Bianchetti, neta do artista, no Facebook

 (Daniel Ferreira/CB/D.A Press)


A trajetória de um mestre
Nascido em Bagé (RS) em 1928, Glênio Bianchetti iniciou os estudos artísticos na década de 1940 sob orientação de José Moraes. Em 1949, ingressou no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, onde foi aluno de Iberê Camargo. Três anos depois, fundou o Clube de Gravura de Bagé, ao lado de Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves. O grupo defendia a popularização da arte por meio da abordagem de temas sociais e regionais em estilo figurativo realista com traços expressionistas.

Com os amigos Carlos Scliar e Vasco Prado, Glênio fundou o Clube de Gravura de Porto Alegre. Em 1953, dirigiu o setor gráfico da Divisão de Cultura e Educação da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul. Nesse período, ele ilustrou obras literárias e realizou os primeiros painéis em espaços públicos. Em 1962, transferiu-se para Brasília, onde ajudou a construir a Universidade de Brasília.

Na instituição, lecionou disciplinas de desenho no Instituto de Artes Visuais. No início da década de 1970, colaborou na criação do Museu de Arte de Brasília. Participou de exposições no Brasil e no exterior e, em 1999, no Palácio Itamaraty, foi homenageado com a retrospectiva dos seus 50 anos de carreira. Em 2009, a vida de Glênio ganhou as telas em um documentário de 52 minutos dirigido por Renato Barbieri.

Linha do tempo
1946 - Inicia estudos artísticos com José Moraes em Bagé (RS), onde nasceu

1947 - Estuda no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, sendo aluno de Iberê Camargo

1951 - Com Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves, integra o Clube de Gravura de Bagé

1951 - Com Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, Danúbio Gonçalves e Vasco Prado, funda o Clube de Gravura de Porto Alegre

1953 - Torna-se diretor do setor gráfico da Divisão de Cultura da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul

1954 - Forma-se em artes plásticas pelo Instituto de Belas Artes da UFRGS

1959 - Orienta cursos de gravura no Instituto de Belas Artes

1960 - Assume a direção do Margs

1962 - É chamado por Darcy Ribeiro para dar integrar o corpo docente do curso-tronco de arquitetura. Nesse ano, ele organiza com outros professores o Setor Gráfico da UnB, onde dirige o ateliê de pintura

1964 - É preso durante repressão dos militares à universidade, tida como subversiva. Permanece na prisão por 27 dias

1965 - Em função das duras ações da ditadura militar, Glênio e demais professores pedem demissão da UnB

1967 - Começa a produzir tapeçarias

1971 - Colabora na criação do MAB.DF

1976 - Membro-fundador do Centro de Realização Criadora, responsável pela formação de artistas e arte-educadores

1978 - Executa painéis para a Secretaria da Agricultura do Distrito Federal

1978 - Executa painel para a Comissão de Financiamento da Produção

1994 - Realiza painéis para o Edíficio Glênio Bianchetti

2000 - Ilustra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, para a Confraria de Bibliófilos do Brasil
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