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Juiz encerra os trabalhos de hoje do julgamento do Massacre de Carandiru Nesta etapa do julgamento, 15 policiais, integrantes do Comando de Operações Especiais serão julgados

Agência Brasil

Publicação: 17/02/2014 21:12 Atualização:

Após o interrogatório de duas testemunhas de acusação, o juiz Rodrigo Tellini Aguirre Camargo decidiu encerrar, por volta das 18h30, os trabalhos desta segunda-feira da terceira etapa do julgamento do Massacre do Carandiru. Amanhã, os depoimentos prosseguem com os interrogatórios de duas testemunhas de defesa, a partir das 10h30.

Nesta etapa do julgamento, 15 policiais, integrantes do COE (Comando de Operações Especiais), serão julgados pela morte de oito presos que ocupavam o quarto pavimento (ou terceiro andar) da antiga Casa de Detenção do Carandiru.

Ao final dos trabalhos de hoje, o advogado Celso Machado Vendramini, que defende os policiais, disse que seus clientes estão sendo julgados sem provas. Apesar disso, ele encarou que os depoimentos tomados hoje foram favoráveis aos réus. “Entendo que, com relação aos policiais que estão sendo julgados hoje, [os depoimentos de hoje] não influenciaram em nada com relação a estes réus e à culpabilidade deles até porque, no quarto pavimento em que eles se encontravam, onde tinha 60 celas, foi encontrado apenas um disparo de arma de fogo dentro de uma cela só”, disse o advogado.

Para Vendramini, não se pode imputar culpabilidade aos policiais pois não é possível determinar qual policial é responsável pela morte de qual detento. “Não se pode acusar pessoas sem sequer um laudo de confronto balístico. Como é que se vai acusar alguém? Como se vai saber quem matou quem? Isso é acusar no escuro, fazer uma loteria”, acrescentou.

Segundo Vendramini, amanhã deverão ser ouvidas duas testemunhas de defesa: o ex-secretário de Segurança Pública, Pedro Campos, e um agente penitenciário, cujo nome não foi ainda revelado. Um dos desembargadores que ele pensava interrogar não será ouvido por problemas de saúde.

Em entrevista aos jornalistas após o primeiro dia de julgamento, os promotores Márcio Friggi de Carvalho e Eduardo Olavo Canto Neto disseram ter provas da culpa dos policiais e informaram que estas provas serão apresentadas no decorrer do julgamento.

Para Carvalho, o fato de ter sido encontrada apenas uma marca de bala no quarto pavimento do Pavilhão, um dos argumentos que estão sendo utilizados pelo advogado dos réus para comprovar que não houve massacre, não inviabiliza o trabalho da acusação. “Os corpos estavam lá e as marcas de balas nos corpos estavam lá e isso vai ser apresentado como prova para os jurados”, disse.

Para o promotor Eduardo Olavo Canto Neto, a acusação vai conseguir provar novamente, como já ocorreu nas duas etapas anteriores de julgamento, a culpa dos policiais. “Na nossa opinião, este é um prosseguimento dos julgamentos anteriores. Acreditamos que os jurados e a sociedade, mais uma vez, não vão acatar este tipo de conduta e estes abusos por parte da Polícia Militar e eles serão condenados”, disse.

A primeira testemunha a ser ouvida hoje foi o perito criminal Osvaldo Negrini, que falou que não houve confronto entre policiais e detentos, pois as marcas de bala que ele encontrou no presídio foram disparadas praticamente em uma única direção: de fora para dentro das celas.

A segunda testemunha de acusação foi Moacir dos Santos, que era diretor da Divisão de Segurança e Disciplina da Casa de Detenção do Carandiru e substituto imediato do então diretor do presídio, José Ismael Pedrosa. Em seu interrogatório, Santos disse que o massacre que ocorreu no Pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, não foi provocado por um confronto entre policiais e detentos, pois os presos não portavam armas de fogo.

Uma terceira testemunha, o ex-detento Marco Antonio de Moura, que seria ouvida hoje, chegou a ser intimada pela Justiça, mas não pôde comparecer ao Fórum Criminal da Barra Funda, onde o julgamento está ocorrendo, e foi dispensada.

O maior massacre do sistema penitenciário brasileiro aconteceu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos durante a invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 do Presídio do Carandiru.
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