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Esposa de Coutinho lembra de toda a tragédia, diz amiga Mesmo após levar cinco facadas, Maria das Dores conseguiu ligar a familiares para pedir socorro

Agência Estado

Publicação: 03/02/2014 18:07 Atualização: 03/02/2014 18:36


Amiga da família desde a época da gravação da primeira parte das filmagens de "Cabra marcado para morrer", em 1963, a professora Zélia Briseno, de 76 anos, visitou a mulher de Eduardo Coutinho, Maria das Dores, de 62, no Hospital Municipal Miguel Couto. Zélia disse que Dora está consciente e lembra de toda a tragédia envolvendo a família, inclusive da morte do marido. O filho Daniel, de 41, está no mesmo ambiente que a mãe na Unidade Intermediária, preso e muito calmo.

"Ela estava lúcida o tempo todo. Ligou para o Pedro (filho mais velho do casal), para a irmã e para mim pedindo ajuda. Ela dizia 'me ajuda, estou morrendo'". De acordo com a polícia, Coutinho foi esfaqueado pelo filho no apartamento em que moravam na Lagoa, zona sul do Rio. Maria das Dores levou duas facadas no peito e três no abdome, sendo que uma perfurou o fígado. Ela conseguiu se trancar no banheiro e ligar para pedir ajuda.

Zélia acompanhou de perto a história do casal que se conheceu no Recife, quando frequentavam o Movimento de Cultura Popular. Ela contou que Coutinho admirava a esposa por quem sempre foi apaixonado. "Ela era uma verdadeira parceira, que dava suporte enquanto ele editava os filmes. Ela é admirável e muito corajosa".

"O Coutinho era um apaixonado pela vida, pelas pessoas que ele chamava de 'meus afetos'. Vou sentir muita falta de nossas conversas", disse muito emocionada.

A pesquisadora Ira Maciel encontrou com Coutinho na Feira Internacional do Livro de Parati 2013. "Coutinho gostava e tinha o dom de encontrar a essência das pessoas. Ele era uma pessoa de pensamento livre, espontâneo, autêntico, sem máscaras".

Eduardo Coutinho nasceu em São Paulo em 11 de maio de 1933 e morreu neste domingo, 02, aos 80 anos, assassinado a facadas em sua casa, na zona sul da capital fluminense. De acordo com a polícia, Daniel Coutinho teve um surto psicótico e assassinou o pai.
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