Governo federal deixa para estados a negociação sobre os rolezinhos

Ministros recebem lojistas de shoppings, sinalizam que o governo federal não deve se envolver diretamente nos eventos e sugerem às polícias que não sejam "preconceituosas"

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postado em 30/01/2014 07:43 / atualizado em 30/01/2014 08:56

André Shalders

Antonio Cruz/Agência Brasil

O fenômeno dos rolezinhos foi o tema de uma reunião, na manhã de ontem, no Palácio do Planalto, entre representantes dos lojistas de shopping centers e ministros do governo Dilma Rousseff (PT). No encontro, o governo preferiu manter-se neutro em relação aos movimentos. Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência informou apenas que uma nova reunião foi marcada para 25 de fevereiro, em São Paulo, com diretores dos centros comerciais. Participaram do encontro as ministras da Igualdade Racial, Luiza Bairros, e da Cultura, Marta Suplicy, além da secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, e do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Em tom vago, a nota palaciana comenta que “foi reafirmado pelo governo o entendimento de que o diálogo é o principal instrumento de compreensão e construção de padrões de convivência com esses eventos”. O texto destaca ainda que, para os ministros, existe a necessidade de “reorientação dos padrões de atuação e da cultura das forças de segurança, nos diversos níveis da Federação, no sentido de evitar posturas preconceituosas e discriminatórias ou ações inadequadas e desproporcionais”. O documento prossegue reconhecendo a necessidade de aprofundar as políticas públicas para a juventude nas áreas de cultura, lazer e esporte.

Mais tarde, antes de participar de evento público, Gilberto Carvalho afirmou que os lojistas não devem encarar os rolezinhos como uma “ameaça”, mas como uma “oportunidade”.

O presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, ressaltou que, para o Planalto, o tema deve ser tratado principalmente com os governos estaduais. “Eles (os ministros) entendem que é preciso um trabalho pontual com as secretarias de Segurança de cada estado. E entendem que, quando há um chamamento com 10 mil, 12 mil pessoas, a prevenção com uso do policiamento é totalmente factível”, disse. “Nós sugerimos ao governo federal que nos apoiasse nas conversas com prefeituras e governos estaduais, para dar utilidade a espaços públicos que hoje estão subutilizados. É o caso do Sambódromo de São Paulo, que hoje fica ocioso durante 11 meses do ano”, exemplificou Sahyoun.

Monitoramento Além da Alshop, participaram da reunião a Associação Brasileira de Franchising, proprietários de shoppings e a União Geral dos Trabalhadores (UGT). Sahyoun afirmou que os shoppings manterão o monitoramento da convocação de rolezinhos nas redes sociais e as lojas continuarão a fechar as portas em caso de grandes aglomerações.
“É só não ter convocação pela mídia. As pessoas podem entrar em grupo de cinco, de seis, de oito ou de 10. Esses jovens que saem da faculdade para ir para uma praça de alimentação, para comer hambúrguer, isso está totalmente aberto”, disse. “A gente só fica preocupado quando tem uma grande convocação e a gente tem 2 mil, 3 mil, 10 mil pessoas. Você passa a ter o critério da segurança no sentido de não correr risco. O pessoal tem preferido fechar para proteger as pessoas que frequentam shoppings.”

Ainda segundo Sahyoun, um levantamento preliminar da Alshop estimou em 25% as perdas de janeiro por causa dos rolezinhos em shoppings. A queda se refere à comparação com o mesmo período do ano passado. “Perdem os lojistas, perdem os próprios funcionários, que deixam de receber suas comissões, e perdem as pessoas que pretendiam ir ao shopping”, avaliou.
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