"Queremos que casos como esse não voltem a acontecer", diz tio de Kauã

O garoto de 7 anos que teve o braço preso em piscina de Caldas Novas não resiste após dois dias internado em hospital de Brasília. Polícia da cidade goiana investiga o caso como homicídio culposo

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postado em 05/01/2014 18:36

Amanda Maia /Correio Brasiliense

Reprodução
As férias da família de Kauã Davi de Jesus Santos, 7 anos, tiveram um fim trágico depois de três dias de angústia. O menino se afogou, na última quarta-feira, ao ser sugado pelo ralo da piscina do Residencial Privé das Thermas 1, em Caldas Novas. Foi socorrido de helicóptero para a capital, ficou internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santa Helena, mas morreu por volta das 5h de ontem. Em Belo Horizonte, um caso semelhante reforçou o alerta para as áreas de lazer infantis. Mariana Rabelo Oliveira, 8 anos, nadava no Jaraguá Country Club, região da Pampulha, na tarde de sexta-feira, quando teve o cabelo puxado por uma tubulação submersa. Ela ficou 12h internada e morreu na madrugada.

Kauã passava o recesso de fim de ano com os pais, a avó materna e os dois irmãos, um de 18 e outro de 3 anos e meio, no condomínio. Ele teve o braço puxado para o fundo de uma das piscinas do resort e ficou submerso por cerca de 10 minutos. Segundo o boletim médico divulgado pelo Hospital Santa Helena, após dois dias de internação, aconteceu uma piora significativa do estado clínico da criança, os médicos tentaram reanimá-la várias vezes, mas houve falência múltipla de órgãos. O sepultamento está previsto para a manhã de hoje, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

O tio do menino, Kelvis de Jesus Costa, 40 anos, conta que os familiares alugaram um apartamento no condomínio somente para as férias e voltariam para Brasília no dia seguinte ao acidente. Ele garante que os parentes não foram negligentes. “Falaram que ele estava só, mas não estava. A avó ficou ao lado o tempo todo. Ele é franzino, mas sabe nadar, e a piscina não o cobria. Pessoas hospedadas no residencial avisaram que um dos ralos estava sem proteção, mas não isolaram, nem fizeram nada”, denuncia.

Para evitar mais histórias como a do sobrinho, Kelvis faz um apelo aos pais e às administrações de clubes, hotéis e condomínios. “A gente tinha esperança de que ele sobrevivesse, estava respirando com a ajuda de aparelhos. Depois que acontece, temos conhecimento de quantos casos existem e pedimos para que não aconteçam mais”, frisa. O Residencial Privé das Thermas 1 tem cinco piscinas de adulto e uma infantil. A que Kauã se afogou tinha apenas 1m de profundidade — portanto, a força da sucção teria causado, por si, só o afogamento.

O Corpo de Bombeiros interditou o espaço para perícia e fiscalização. O problema foi consertado e todos os reservatórios de água voltaram a funcionar. Em nota, a administração do resort de Caldas Novas afirmou que “incorpora os sentimentos de pesar, dor e sofrimento de toda a sua família” e definiu a tragédia como uma fatalidade. Não há referências, no documento, às mudanças no sistema de sucção da piscina ou à contratação de salva-vidas.
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