O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu romper o silêncio e defender a liberação do aborto até a 12.ª semana de gestação. O colegiado vai enviar à comissão do Senado que cuida da reforma do Código Penal um documento sugerindo que a interrupção da gravidez até o terceiro mês seja permitida, a exemplo do que já ocorre nos casos de risco à saúde da gestante ou quando a gravidez é resultante de estupro.
O gesto tem um claro significado político. “Queremos deflagrar uma nova discussão sobre o assunto e esperamos que outros setores da sociedade se juntem a nós”, afirmou o presidente do CFM, Roberto D’Ávila. A entidade nunca havia se manifestado sobre o aborto.
A movimentação em torno do tema vem perdendo força nos últimos anos, fruto sobretudo de um compromisso feito pela presidente Dilma Rousseff com setores religiosos, ainda durante a campanha eleitoral. Diante da polêmica e das pressões sofridas de grupos contrários à legalização do aborto, a então candidata amenizou o discurso e se comprometeu a não adotar nenhuma medida para incentivar novas regras durante seu governo.
O comportamento da secretária de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, é um exemplo do quanto o compromisso vem sendo seguido à risca. Conhecida por ser favorável ao aborto, em sua primeira entrevista depois da posse ela avisou: sua posição pessoal sobre o assunto não vinha mais ao caso. “O que importa é a posição do governo”, disse ela, na época. A decisão da entidade foi formalizada na quarta-feira (20), dia em que Dilma Rousseff se encontrou com o papa Francisco, em Roma.
Por enquanto não há sinais de que uma nova onda de manifestos favoráveis possa mudar a estratégia do governo. O Ministério da Saúde disse que a discussão do tema cabe ao Congresso. A ministra Eleonora, por sua vez, afirmou que não se manifestaria. “Não podemos deixar que esse assunto vire um tabu. O País precisa avançar”, afirmou D’Ávila. Ele argumenta que mulheres sempre recorreram ao aborto, sendo ele crime ou não. Para o conselho, a situação atual cria duas realidades: mulheres com melhores condições econômicas buscam locais seguros para fazer a interrupção da gravidez. As que não têm recursos recorrem a locais inseguros. “Basta ver o alto índice de morte de mulheres por complicações. Não precisa ser assim.” O aborto é a quinta causa de morte entre mulheres - são 200 mil por ano.
O CFM sustenta que a mulher tem autonomia para decidir. “E essas escolhas têm de ser respeitadas.” A proposta do CFM avança em relação ao texto da comissão do Senado, que também permitia o aborto até a 12.ª semana, mas desde que houvesse aprovação médica. “Seria uma burocracia desnecessária. Sem falar de que poderia começar a ocorrer fraude com tais laudos”, avaliou.
LegislaçãoD’Avila é enfático ao dizer que o CFM não é favorável ao aborto. “O que defendemos é o direito de a mulher decidir.” A divulgação do manifesto, diz, não mudará em nada a forma como o conselho trata acusações de médicos que realizaram aborto ilegal. “Não estamos autorizando os profissionais a fazer a interrupção da gravidez nos casos que não estão previstos em lei. Queremos é que a lei seja alterada.” O presidente do CFM reconhece haver resistência a essa alteração. “Vivemos em um Estado laico. Seria ótimo que as decisões fossem adotadas de acordo com o que a sociedade quer e não com o que alguns grupos permitem.” As informações são do jornal
Esta matéria tem: (8) comentários
Autor: OZIAS PAULA
Isto é asassinato puro e simples de uma criatura indefesa. Onde foi parar a ética de nossa ciência médica? Consola-me tão somente ter a certeza de que cada responsável, mas principalmente a mão, vai prestar contas A Deus, o doador da vida. | Denuncie |
Autor: Ricardo Teixeira
O aborto deve ser desestimulado, especialmente pelo uso de contraceptivos. Agora, ameaçar com pena de prisão a mulher que opta pelo aborto, não tem cabimento. Direito penal é para bandidos, não para reforçar posições religiosas. Parabéns ao CFM! | Denuncie |
Autor: Marcos Pimenta
Será que o CFM está sob orientação do PT? A questão é política. Não cabe, portanto, a um Conselho Profissional. Aos profissionais cabe cumprir a lei e não fazer política. Seria o caso agora da OAB defender o direito dos nascituros! Aborto é assassinato! | Denuncie |
Autor: Teo Fernandes
Quem fizer isso, o papa Chico vai excomungá-la kkkkkkkkk. | Denuncie |
Autor: Manfredo Linhares
Vindo de uma classe degradada, materialista, desumana e despreparada, não é de assustar tal posicionamento. O aborto pode até vir a ser legal, mas jamais será moral, pois é pai e mãe matando o próprio filho, são aqueles que juraram salvar vidas as tirando. Já viram o ultrassom de um feto dessa idade? | Denuncie |
Autor: Anderson Diniz
Estamos tratando o tema de trás pra frente. Ao invés de realizar um belo programa de planejamento familiar e difusão dos métodos contraceptivos querem permitir o aborto. Sou totalmente contra, não por questões religiosas. É a banalização da marternidade. | Denuncie |
Autor: Marco Antonio Tome
Então em nome da irresponsabilidade da liberdade sexual de homens e mulheres o remédio é o governo arcar com Coquetel anti-AIDS,pilulas, Camisinhas, Dil, vasequtomia e outros contraceptivos,bolsa família, moradias,bolsas e bolsas, quando é que vamos assunmir e pagar pela nossas irresponsabilidade | Denuncie |
Autor: Marco Antonio Tome
Mais uma vêz alguns médicos entendendo que podem ser donos da VIDA e DA MORTE, seja na UTI ou no ventre materno, e qual é o papel de DEUS, médicos sempre com o remédio e poucos combatendo a causa, neste caso a irresponsabilidade de homens e mulheres ao fazerem sexo sem proteção às DST´s a Gravidez. | Denuncie |