Publicação: 03/03/2013 06:00 Atualização: 03/03/2013 09:09
Enquanto o decreto não sai, pouco adianta a atitude pioneira de uma juíza de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que determinou a coleta de material biológico de Márcio Faria Lacerda, acusado de assédio sexual, com base na lei que criou o banco de DNA. A Polícia Civil de Minas Gerais já identificou o perfil genético do homem. “Hoje, posso comparar o perfil dele com material de uma vítima, por exemplo, durante investigações. Mas não posso colocá-lo no banco nacional antes que o decreto saia”, ressalta a perita criminal Fabíola Soares Pereira, chefe do laboratório de DNA do Instituto de Criminalística mineiro.
Ela não menciona a identidade do criminoso, por questão de sigilo. Mas o Estado de Minas teve acesso ao processo de Lacerda, atualmente preso e com julgamento marcado para este mês. Para especialistas em segurança pública, a publicação das regras contidas no decreto é fundamental. A Polícia Federal informou, por meio de nota, que a coleta de DNA só se tornará rotina quando a lei for regulamentada. Pela legislação em vigor, é obrigatória a identificação genética de condenados por crimes hediondos ou crimes violentos contra a pessoa, como homicídio, extorsão mediante sequestro e estupro. Suspeitos também poderão ter o material biológico recolhido por determinação judicial.
Teste de saliva
Um simples cotonete passado na parte de dentro da bochecha é suficiente para que especialistas tracem o perfil genético de uma pessoa. Os detalhes do processo ainda precisam ser definidos. “Ainda não sabemos se será na hora da sentença, se o perito vai ao presídio para recolher (o material), se o preso vem à polícia. Vamos esperar a regulamentação para saber desses pontos mais específicos”, destaca Fabíola.
No Brasil, 15 estados estão com a estrutura pronta para fazer identificações genéticas e compartilhar os perfis no banco nacional. O FBI, a polícia federal americana, doou o mesmo programa de computador utilizado nos Estados Unidos, o Codis, aos institutos de perícia oficial brasileiros que quiseram receber o software. Roraima, Acre, Rondônia, Tocantins, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Sergipe são os estados mais atrasados na implantação do sistema: não têm sequer laboratórios de DNA.
O gerenciamento do banco de dados nacional ficará a cargo da Polícia Federal. Ou seja, ao longo de uma investigação, a polícia estadual pode incluir o DNA encontrado em cena de crime no sistema. A PF, por sua vez, fará o cruzamento da informação com outros perfis já cadastrados no banco e avisará aos investigadores locais caso encontre alguma coincidência. A ferramenta de combate ao crime — já utilizada em pelo menos 30 países desenvolvidos — é urgente para o Brasil, onde 5.312 pessoas sofreram algum tipo de violência sexual somente no primeiro semestre de 2012, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

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Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: SERGIO DOURADO
Adianta ter o DNA do cara se o "normal" é reincidentes voltarem às ruas pelas mãos da Justiça oportunista do Brasil?Qtos assassinatos são sequer investigados no país?Acho q a inovação é excelente e já chega atrasada em relação à polícia científica nos países desenvolvidos:mas "só" isso,n dá... | Denuncie |