Brasília – Com a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF) de validar as cotas raciais nas universidades, o movimento negro quer se preparar para cobrar das instituições de ensino superior a implantação das reservas de vagas.
De acordo o fundador e coordenador da Educafro, frei Davi, a organização vai procurar fundamentação jurídica para pressionar as universidades. A Educafro é uma instituição que tem o objetivo de realizar a inclusão de negros em instituições públicas e privadas de ensino superior.
"É impossível fazer política pública sem considerar a especificidade do povo negro", disse o coordenador.
O professor Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), também defende a cobrança.
"Não vai agradar a todos [decisão do STF]. Não se trata de uma questão afetiva. É primordialmente que a população negra seja respeitada", explicou o professor.
Para o docente, as cotas não reduzem as diferenças sociais e econômicas entre negros e brancos, mas possibilita que tal parcela da população chegue a um banco de universidade - coisa que, há alguns anos, era sequer imaginado por muitos negros.
"É preciso [sistema de cotas] até que a gente faça ajustes na sociedade", argumentou Inocêncio.
Com placar de 10 votos a favor e nenhum contrário, os ministros do STF consideraram constitucional o sistema de cotas raciais em universidades públicas e privadas. A decisão não obriga nenhuma instituição a adotar o sistema. Atualmente, não existe lei que torne as cotas obrigatórias.
O partido Democratas (DEM), autor da ação julgada pela Corte, questionava a legalidade das cotas raciais para ingresso na UnB. Para o DEM, esse tipo de política de ação afirmativa viola diversos preceitos garantidos na Constituição.
A UnB foi a primeira universidade federal a instituir o sistema de cotas, destinando 20% das vagas do vestibular a candidatos que se autodeclararem negros (pretos e pardos). Desde 2004, 5 mil alunos ingressaram pela reserva de vagas.
Esta matéria tem: (6) comentários
Autor: Agostin Pacheco Crego
Agora vai ser o tal caso...Um monte de pessoas que passou na moral vai virar para outro monte de pessoas e falar : "Sou melhor que voce, Não preciso de cotas......" Aí sim!!! instituído o racismo oficial no Brasil. | Denuncie |
Autor: José Resende
O que é irritante nesse movimento é rotular pobre como negro e branco como rico. Discurso repetido e desgastante. Esse desvio da verdade só pode redundar em descrédito para o movimento. Acreditem se quiser, mas também há brancos pobres e injustiçados. | Denuncie |
Autor: Wii Well
E aind apor cima vai criar um preconceito para os prórpios usuários da cota. Afinal, entrou por competencia ou por cota????? Vamos melhorar o ensino basico publico? Que tal? Existem também brancos pobres que nao tem acesso facil as universidades... E entao? | Denuncie |
Autor: Wii Well
Vergonhoso. O racismo existe de ambas as partes. Como se a cor da pele definisse a capacidade de alguém em entrar opu não numa faculdade. Porque ninguém falou em cota sócio-econômica. Seria mais justo. Este ato mostra todo o racismo por parte de elementos da comunidade negra. | Denuncie |
Autor: José Resende
Então vamos criar cotas para todo mundo: quem estudou em escola pública, quem o pai ganhava menos de dois salários ou ganha, quem tinha pais analfabetos ou quase... Ou seja, por ISONOMIA todos aqueles que tiveram limitações na sua capacidade de desenvolvimento cultural e financeiro também merecem. | Denuncie |
Autor: Ricardo gonçalves de souza
Admiro isto no Brasil priveligiar as pessoas por causa da cor!Agora pergunto e o branco pobre,indio ou amarelo?Por que a justificatica usada para cotas e que negros e pardos não tem acesso ao ensino superior não e mesmo?E os outros como citado acima!Isto e mais preconceito feito por eles mesmo! | Denuncie |