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Odebrecht assina delação premiada e pagará multa bilionária

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postado em 01/12/2016 22:55

AFP /Agence France-Presse

Um total de 77 executivos da empreiteira Odebrecht assinavam nesta quinta-feira acordos de delação premiada com a Justiça no âmbito da operação Lava Jato e o grupo aceitou pagar multa de R$ 6,8 bilhões (cerca de US$ 2 bilhões).

A assinatura de acordos de delação em troca de uma redução da pena "é um processo que ainda não terminou, mas que será concluído entre hoje e amanhã", disse à AFP uma fonte ligada à empresa que pediu para não ser identificada.

O acordo pode desatar um novo terremoto político no Brasil, onde há pelo menos meia centena de legisladores investigados sobre o caso. Meios locais estimam que a confissão em massa do grupo poderia adicionar cerca de cem novos nomes à lista de suspeitos.

A empresa abonará a multa de 6,8 bilhões de reais ao longo de 20 anos e o acordo inclui os valores que deverá pagar nos Estados Unidos e na Suíça, países onde também é investigada.

As desavenças entre Washington e Brasília sobre como devia ser distribuído o pagamento da multa tinha atrasado a assinatura da aguardada confissão.

A Odebrecht, que chegou a ser uma das maiores empreiteiras da América Latina, era um agente financeiro chave para muitos políticos, de acordo com o processo que lançou luz ao processo que desviou mais de US$ 2 bilhões da Petrobras.

Seu ex-presidente, Marcelo Odebrecht, considerado um dos empresários mais influentes do Brasil, está preso há 16 meses em Curitiba, onde cumpre pena de mais de 19 anos por integrar organização criminosa e cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O acordo pode reduzir drasticamente esta pena.

O 'Petrolão', como os investigadores denominam o esquema de corrupção na Petrobras, foi um esquema montado entre empreiteiras e partidos para manipular licitações e superfaturar obras da petroleira para depois distribuir entre 1% e 3% do valor dos contratos.

"Desculpe, a Odebrecht errou"

"A Odebrecht reconhece que participou de práticas impróprias à sua atividade empresarial", admitiu a empresa em um insólito comunicado, intitulado "Desculpe, a Odebrecht errou".

"Não importa se cedemos a pressões externas. Tampouco se há vícios que precisam ser combatidos ou corrigidos no relacionamento entre empresas privadas e o setor público", acrescentou.

A empreiteira destacou que o mais importante é que, com o acordo com o MP, a empresa reconhece seu envolvimento no esquema de corrupção e promete mudar sua atitude no futuro.

"Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão aos valores consagrados de honestidade e ética. Não admitiremos que isto se repita", destacou o comunicado.

Depois de pedir perdão, a empresa se diz comprometida a "virar a página" e divulgou um decálogo de compromissos, entre os quais estão "dizer não com firmeza" quando surgirem oportunidades de negócio ilegais e "jamais invocar condições culturais ou usuais do mercado para justificar ações indevidas".

A operação Lava Jato, lançada em 2014, atingiu duramente o PT dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e ex-aliados do PMDB, do presidente Michel Temer.

O próprio Lula (2003-2010) enfrenta várias ações judiciais ligadas ao esquema na Petrobras, do qual a Justiça aponta como "máximo comandante".



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