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Colômbia inicia repatriação de corpos após tragédia aérea

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postado em 01/12/2016 22:16

AFP /Agence France-Presse

A Colômbia preparava nesta quinta-feira a repatriação dos 71 corpos das vítimas do acidente do avião da companhia Lamia, em que viajava a equipe da Chapecoense para jogar a partida de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

Entre as vítimas do acidente, ocorrido na noite de segunda-feira em montanhas próximas a Medellín, em que milagrosamente sobreviveram seis pessoas, há 64 brasileiros, cinco bolivianos, um venezuelano e um paraguaio, informou o Instituto de Medicina Legal, ao concluir o reconhecimento dos corpos.

Segundo o cronograma divulgado pelas autoridades colombianas, as repatriações começarão às 17H00 locais (20H00 de Brasília) com a partida em um voo da Avianca do corpo do cidadão paraguaio.

Continuarão na sexta-feira às 08H00 (11h00) com a saída do cidadão venezuelano também em voo comercial da mesma empresa aérea e uma hora depois, partirão quatro corpos e as cinzas dos cidadãos bolivianos em um Hércules da Força Aérea Boliviana a partir da base de Rionegro.

Finalmente, às 16H00 (19H00) começará a repatriação em três voos diferentes dos brasileiros falecidos. Na mesma hora, em um voo fretado privado, sairão com destino ao Brasil os corpos dos seis jornalistas da emissora Fox Sports.

Quatro funerárias de Medellín preparavam os corpos para o envio aos seus locais de origem, enquanto em Chapecó está sendo preparado um grande velório para as vítimas em seu estádio, a Arena Condá, onde 100 mil pessoas darão o último adeus à equipe que encheu esta cidade de esperanças com sua trajetória na Sul-Americana.

"Vamos colocar telões na área externa, já que a Arena (Condá) tem capacidade para 19.000 pessoas e trabalhamos com a hipótese de que possam se reunir umas 100.000 nos arredores", disse Andrei Copetti, assessor de comunicação da Chapecoense, em coletiva de imprensa.

"Campeões para sempre"

Na funerária San Vicente, onde estava prevista uma missa em memória dos falecidos, já estavam em seus respectivos caixões os corpos de vários passageiros da aeronave de matrícula boliviana CP2933 da empresa Lamia.

"Campeões para sempre" diziam as bandeiras brancas com o escudo da Chapecoense que cobriam os caixões.

Com outros familiares dos falecidos, Roberto Di Marchi, primo do diretor financeiro da Chapecoense, Nilson Folle Junior, chegou pela manhã à funerária. Após olhar por alguns minutos para o caixão, tirou a camisa número 11 e a colocou ao lado do corpo.

"Eu o considero como um filho, como um irmão, e agora está em uma situação assim, em um caixão, é horrível", disse com a voz trêmula.

A Bolívia suspendeu nesta quinta-feira as permissões de operação da Lamia e destituiu altos funcionários do controle aeronáutico do país, informou o governo.

Segundo o representante da Lamia, Gustavo Vargas, a aeronave não cumpriu o plano de reabastecer o combustível em Cobija, cidade boliviana fronteiriça com o Brasil, ou em Bogotá.

A principal hipótese para o acidente é a falta de combustível do avião fretado que saiu da cidade de Santa Cruz de la Sierra, para onde os passageiros haviam ido em um voo comercial de São Paulo.

Ameaças contra a controladora

"Posso aceitar com absoluta certeza que da minha parte fiz o humanamente possível e o tecnicamente obrigatório para preservar a vida destes usuários do transporte aéreo", disse em um comunicado Yaneth Molina, controladora do aeroporto de Rionegro que estava de plantão na segunda-feira.

A operadora, cuja voz aparece em um áudio divulgado por meios de comunicação colombianos que registraram as últimas palavras trocadas com o piloto minutos antes do acidente, denunciou ameaças contra ela, sem dar detalhes.

Na gravação, qualificada pelas autoridades de "inexata nos tempos" e de não estar certificada, pode-se ouvir o piloto do avião reportando à torre de controle estar "em falha elétrica total" e "sem combustível", sem que Molina perdesse a compostura.

O acidente acabou com a surpreendente campanha da Chapecoense, que começou a escalar o cume do futebol continental desde 2009.

Na quinta-feira, o Independiente Santa Fe de Colombia, campeão da Sul-americana, presenteou à Chapecoense a réplica do troféu conquistado em 2015. "Um pouco de consolo para o povo de Chapecó", disse Marcelo Zolet, diretor jurídico do clube catarinense.

"Uma vida pela frente"

"Tinham uma vida pela frente", disse, com "muita tristeza, muita dor, impotência", a colombiana María Ocampo, que participou do tributo com mais de 30.000 pessoas que o Nacional ofereceu na véspera no estádio Atanasio Girardot.

No ato também rezaram pela saúde dos sobreviventes: três jogadores, dois tripulantes e um jornalista que se recuperam em clínicas perto de Medellín.

O goleiro Jackson Follmann, que teve a perna direita amputada, voltou a ser operado na quinta-feira para determinar a evolução clínica das lesões sem que seja necessário amputar a perna esquerda, segundo o último boletim médico.

O zagueiro Alan Ruschel se encontra "em estado crítico, mas estável" e se descartou que esteja comprometida sua mobilidade devido a uma fratura na coluna. Enquanto isso, encontram-se estáveis o jogador Hélio Zampier Nieto e o jornalista Rafael Henzel, cuja esposa chegou a acompanhá-lo.

Os tripulantes bolivianos Ximena Suárez e Erwin Tumiri poderiam, inclusive, receber alta nesta quinta-feira.



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