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Presidente francês, François Hollande desiste de tentar reeleição

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postado em 01/12/2016 20:40

AFP /Agence France-Presse

O presidente socialista francês, François Hollande, em queda livre nas pesquisas, anunciou nesta quinta-feira que desistiu de tentar a reeleição em 2017, uma decisão inédita na história recente da França.

"Decidi não ser candidato na eleição presidencial", declarou o socialista de 62 anos com a voz alquebrada, em um pronunciamento solene no Palácio do Eliseu, transmitido pela televisão.

Todas as pesquisas de opinião previam sua derrota caso se candidatasse às próximas eleições de abril e maio do ano que vem, com menos de 10% das intenções de voto no primeiro turno, muito atrás do candidato da direita, François Fillon, e da líder da ultradireita Marine Le Pen.

Sou "consciente dos riscos" que minha candidatura representaria, disse Hollande, que com esta decisão espera evitar que a esquerda perca as eleições.

"O exercício do poder (...) nunca me fez perder a lucidez", afirmou.

Após este anúncio, está previsto que seu primeiro-ministro, Manuel Valls, apresente sua candidatura às primárias de esquerda, que serão celebradas entre 22 e 29 de janeiro.

Na semana passada, Valls declarou em entrevista que não excluía a possibilidade de lançar seu nome nestas eleições internas, mesmo se Hollande se candidatasse.

Apesar de seu anúncio surpreendente, Hollande defendeu seu balanço depois de cinco anos no poder.

"O principal compromisso que assumiu com vocês era diminuir o desemprego (...) Os resultados chegaram mais tarde do que tinha anunciado, admito, mas estão aí", afirmou.

"Neste momento, as contas públicas estão equilibradas, a segurança social está em equilíbrio e a dívida do país foi estabilizada", defendeu-se Hollande, que assegurou ter feito o possível para que a França fosse um país mais justo.

Hollande, que chegou à Presidência em 2012 após derrotar Nicolas Sarkozy (direita), é o primeiro presidente que se recusa a se lançar à reeleição desde 1958, ano em que foi instaurado um novo regime constitucional na França, com exceção de Georges Pompidou, que faleceu durante seu mandato, em 1974.

Uma esquerda dividida

A cinco meses das presidenciais, a esquerda francesa, profundamente dividida, iniciou nesta quinta-feira seu processo de apresentação de candidaturas para as primárias.

O ex-ministro da Economia, Arnaud Montebourg, que demitiu-se do governo Hollande em 2014, em desacordo com a linha econômica do Executivo, foi o primeiro a formalizar sua candidatura.

Os demais pré-candidatos têm prazo até 15 de dezembro.

Na extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que obteve 11% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2012, se apresentará às presidenciais por conta própria, sem passar pelas primárias.

A isto se soma a candidatura independente do ex-ministro da Economia de Hollande, Emmanuel Macron, que se demitiu em agosto passado.

Em sua fala, Hollande fez um apelo à união de "todos os progressistas" para vencer nas presidenciais de 2017.

A Presidência de Hollande foi marcada pelos piores atentados da história recente da França (238 mortos), operações militares no exterior (Mali, República Centro-africana, Iraque e Síria) e tumultuadas revelações sobre sua vida privada.

Hollande teve que fazer frente também a uma forte oposição em suas próprias fileiras, sobretudo uma contestação de vários meses em 2016 contra seu projeto de reforma trabalhista, que acabou sendo aprovado pela Assembleia Nacional.

A direita francesa celebrou em 20 e 27 de novembro suas primárias, nas quais o ex-premiê François Fillon foi escolhido, após derrotar o também ex-chefe de governo Alain Juppé com 66,5% dos votos no segundo turno.

Fillon, um conservador católico que promete profundas reformas econômicas, é o grande favorito às presidenciais do ano que vem, nas quais derrotaria com folga no segundo turno a líder da ultradireitista Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, com 66% dos votos, segundo as pesquisas.

O candidato presidencial da direita não se privou de comentar a decisão de Hollande que, segundo ele, "admitiu seu fracasso com lucidez".



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