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Bolívia suspende permissão da Lamia após acidente da Chapecoense

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postado em 01/12/2016 20:10

AFP /Agence France-Presse

A Bolívia suspendeu nesta quinta-feira as operações da companhia aérea Lamia, cujo avião caiu na Colômbia, deixando 71 mortos, incluindo jogadores da Chapecoense, e também demitiu altos funcionários do controle aeronáutico do país, segundo o governo.

"O governo instruiu a DGCA (Direção-Geral da Aviação Civil) a suspensão do certificado de operador aéreo (da empresa Lamia) e uma investigação" sobre as permissões da empresa, seus proprietários e capital, informou o ministro de Obras e Serviços Públicos, Milton Claros.

Junto a isso, ordenou "a troca da equipe executiva tanto da DGAC como da AASANA (Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea), enquanto durarem as investigações".

Mais cedo nesta quinta-feira, a DGAC havia comunicado a "suspensão de maneira imediata" da permissão de operações da empresa aérea Lamia, cujo tragédia deixou apenas seis pessoas vivas.

Uma resolução administrativa datada de 29 de novembro, mas divulgada nesta quinta-feira, estabeleceu a suspensão de maneira imediata do "Certificado de Explorador de Serviços Aéreos, (AOC) Nº DGAC-DSO-AOC Operador Aéreo, OPS-COA-119-01-002 e da Permissão de Operação outorgada à Empresa LAMIA CORPORATION SRL".

A resolução não explica as razões da medida, mas foi aprovada um dia depois do avião desta companhia cair na Colômbia aparentemente por falta de combustível. O documento assinalou que a DGAC "fará comunicados oficiais periodicamente".

Plano de voo descumprido

Segundo o representante da empresa, Gustavo Vargas, a aeronave não cumpriu o plano de reabastecer o combustível em Cobija, cidade boliviana fronteiriça com o Brasil, ou em Bogotá.

A principal hipótese para o acidente é a falta de combustível do avião fretado que saiu da cidade boliviana de Santa Cruz (leste), para onde os passageiros haviam ido em um voo comercial de São Paulo.

As autoridades suspeitam de normas flexíveis no controle aéreo.

Segundo contou ao jornal El Deber, uma funcionária da administração aeroportuária fez cinco observações no plano de voo da Lamia, no entanto, o despachante - que morreu no acidente - insistiu que tinham a capacidade de fazer a viagem.

A principal objeção era sobre o tempo de voo, que era muito apertado com a autonomia da aeronave.

Segundo afirmaram a veículos de comunicação diversos pilotos entrevistados, é essencial ter um extra de combustível para poder se deslocar a um aeroporto alternativo em caso de não poder pousar no destino programado.

A página na internet de El Deber coletou declarações do secretário de Segurança Aérea da Colômbia, Freddy Bonilla, à rádio Belgrano. Nela, ele assegura que, de acordo com as autorizações, a aeronave da Lamia devia decolar de Cobija, muito mais ao norte, e não de Viru Viru, em Santa Cruz, como fez.

Segundo Bonilla, o avião "deve ter dois pontos alternativos e deve poder ir ao mais distante caso surja alguma contingência e ter 30 minutos mais de voo e 10% extra para voos internacionais".

Repatriação de tripulantes

A Bolívia enviou um avião Hércules para Medellín para a repatriação dos corpos dos cinco bolivianos da tripulação do Lamia que caiu, informou na quinta-feira o vice-ministro de Coordenação e Gestão Governamental, Javier Baldivieso, à rádio Rede Patria Nueva.

Também viajarão parentes das vítimas. Outros dois membros da tripulação mortos tinham nacionalidade paraguaia e venezuelana e também serão repatriados para seus países.

O vice-ministro explicou, ainda, que os médicos encarregados do atendimento de outros dois tripulantes bolivianos sobreviventes disseram que estes não poderão viajar ainda porque estão em processo de recuperação dos graves ferimentos sofridos na queda do avião.

A aeronave caiu com 77 pessoas a bordo: 68 passageiros e nove tripulantes, dos quais sobreviveram seis pessoas - três jogadores, uma auxiliar de voo, um técnico de voo e um jornalista. Todos internados em clínicas próximas a Rionegro.



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