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A última viagem de Fidel Castro

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postado em 30/11/2016 14:52

AFP /Agence France-Presse

Após dois dias de homenagens póstumas, as cinzas de Fidel Castro finalmente deixaram a capital cubana nesta quarta-feira para viajar pelo país até Santiago de Cuba (leste), o berço da revolução e onde devem ser enterradas no domingo.

Protegida por cristais e coberta com a bandeira cubana, a urna funerária de madeira com as cinzas de Fidel viaja sobre uma estrutura adornada com flores brancas puxada por um veículo militar.

Até então exposta em um salão do ministério das Forças Armadas desde a cremação do "Comandante", a urna partiu às 7h16 (10h16 de Brasília) a bordo de um comboio que deve seguir por um trajeto de 950 km, percorridos na direção oposta que o percurso feito por Fidel Castro no momento da vitória da sua guerrilha em 1959.

"Eu sou Fidel!", "Somos todos Fidel!" e "Viva Fidel", gritavam os milhares de cubanos que foram às ruas para se despedir do homem que os governou por quase meio século e que faleceu na sexta-feira aos 90 anos de idade.

Operários, estudantes e médicos se emocionaram, muitos aos prantos, durante a passagem das cinzas do pai da Revolução cubana, que instaurou um regime socialista que universalizou a educação e a saúde públicas, mas que foi implacável com a dissidência.

"Nasci com a Revolução e me formei graças a Revolução. Venho de uma família humilde, sou negra e em outros tempos não teria tido a oportunidade de ser o que sou hoje", declarou María de los Ángeles González, uma engenheira de 31 anos.

Autoridades do governo, do Partido Comunista e Dalia Soto del Valle, viúva de Fidel, assistiram a cerimônia solene militar de despedida da comitiva.

Depois de quatro dias de viagem, as cinzas de Fidel Castro serão enterradas no domingo no cemitério de Santa Ifigenia de Santiago, ao lado do mausoléu de José Martí, herói da independência de Cuba.

Este funeral irá selar o fim do luto nacional decretado por nove dias por seu irmão e sucessor Raul Castro.

De 2 a 8 de janeiro de 1959, a bordo de sua "Caravana da liberdade", Fidel Castro cruzou o país em triunfo, após a fuga para o exterior do ditador Fulgencio Batista, acuado em Havana pelas tropas castristas, enquanto o pai da revolução tomava simultaneamente o controle de Santiago de Cuba.

O jovem "barbudo" pregou, então, o seu projeto revolucionário nas principais regiões do país, incluindo Holguin (sudeste), onde nasceu, e as cidades de Camagüey, Las Tunas, Sancti Spiritus, Santa Clara e Matanzas, que liga o país de leste a oeste.

O primeiro momento de destaque desta procissão será em Santa Clara, onde repousam em um mausoléu as cinzas de seu companheiro, o guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara, que morreu em 1967.

'Querido Fidel'

Criticado pela ONU e pelos seus adversários por violações dos direitos humanos, Fidel Castro continua a ser reverenciado por muitos cubanos, que sofreram um choque com a notícia da sua morte aos 90 anos.

Em virtude do luto nacional, as reuniões e espetáculos foram cancelados, os jogos de beisebol suspensos, as boates fechadas e a venda de bebidas alcoólicas proibidas até domingo.

A imprensa nacional dedicavam exclusivamente seus programas a este luto, e transmitia em repetição o hino "Andar com Fidel", uma "trova" com acentos românticas composta pelo popular cantor cubano Raul Torres.

Na terça-feira à noite, centenas de milhares de habitantes de Havana prestaram uma última homenagem a Fidel Castro, junto com líderes da esquerda latino-americana e da África, que defenderam o legado do "Comandante".

"Ele não foi embora, ele permanecerá, invicto entre nós, absolvido, completamente absolvido pela História", exclamou o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, um aliado próximo de Cuba, referindo-se à famosa frase "a História me absolverá", lançada por Fidel Castro em seu julgamento depois do ataque ao quartel Moncada que cunhou o início de sua lenda, em 1953.

Em seguida, Raul Castro falou ao seu irmão: "Querido Fidel (...) aqui, comemoramos nossas vitórias, dizemos a você, juntamente com nosso povo devotado, combativo e heroico: Até a vitória, sempre" ("Hasta la victoria, siempre!"), repetindo o refrão dos revolucionários cubanos.

A noite de homenagens, de tom altamente político, foi evitada pelos chefes de Estado ocidentais, incluindo o presidente americano Barack Obama, que, no entanto, teceu uma reaproximação histórica desde o final de 2014 entre os dois ex-inimigos da Guerra Fria.

Da mesma forma, os presidentes de países amigos, o russo Vladimir Putin, o chinês Xi Jinping e o iraniano Hassan Rohani, preferiram ser representados por emissários.



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