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Do sonho ao pesadelo: Medellín abraça a Chapecoense

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postado em 30/11/2016 10:22

AFP /Agence France-Presse

Medellín, que se preparava para uma festa nesta quarta-feira com o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana entre Atlético Nacional e Chapecoense, chora com o sonho que virou pesadelo após o acidente aéreo que dizimou o time brasileiro.

"Uma tragédia muito impactante, muito dura de aceitar e de assimilar", disse à AFP Ana María Ospina, estudante Engenharia Física de 21 anos.

Na segunda maior cidade da Colômbia, bandeiras brancas e o pavilhão nacional foram hasteados a meio mastro em homenagem às 71 vítimas fatais da tragédia, que aconteceu na segunda-feira à noite em uma zona montanhosa remota. Esquecendo qualquer tipo de rivalidade, a população expressa solidariedade.

"A dor é uma forma de unir todas as pessoas, de deixar de lado as diferenças", afirmou a jovem em Alpujarra, centro de Medellín, onde ficam as sedes da prefeitura, do governo departamental, além das assembleias municipal e estadual.

"Não apenas o Brasil, Medellín e a Colômbia estão apoiando as famílias, e sim o mundo inteiro está enviando muito amor e muita força, que é o que precisam neste momento", completou.

A tragédia com o modesto clube brasileiro, cujos atletas, comissão técnica e dirigentes viajavam da Bolívia para a Colômbia para disputar a primeira final continental nos 43 anos da história da equipe, provocou uma forte comoção na cidade.

"Devemos ter um acompanhamento especial com as famílias que perderam seus entes queridos, que mais do que atletas são pais de família e pessoas que dão tudo para representar bem seu país e para tornar o futebol uma diversão saudável", afirmou Freddy Ocampo, funcionário público de 43 anos.

- Rivais unidos pela dor -

Dois rivais históricos da cidade colombiana, o Atlético Nacional e o Deportivo Independiente Medellín (DIM) se uniram no luto.

O Atlético Nacional, atual campeão da Copa Libertadores, convocou uma cerimônia de solidariedade nesta quarta-feira às 18H45 locais (21H45 de Brasília) no estádio Atanasio Girardot, onde, no mesmo momento, seria disputada a partida contra a Chapecoense.

A direção do clube pediu às pessoas que compareçam com uma vela e roupas brancas

O DIM se uniu à iniciativa e divulgou uma mensagem nas redes sociais para expressar a "dor que provoca esta inesperada tragédia que enluta o futebol".

"Toda a cidade de Medellín e todo o departamento de Antióquia demonstram solidariedade com a equipe brasileira", disse Carlos Andrés Cardona, administrador da área de saúde de 37 anos.

No Twitter, as hashtags #FuerzaChapecoense e #FuerzaChape estavam entre as mais utilizadas na Colômbia.

"O Nacional está muito abalado, é um dia triste, com uma dor muito forte", disse o técnico Reinaldo Rueda.

O clube colombiano solicitou à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) que conceda o título ao time brasileiro, mas a entidade ainda não se pronunciou sobre a questão.

A Chape, com uma história modesta, se tornou a sensação do continente ao eliminar equipes com mais tradição, como o San Lorenzo da Argentina, nas semifinais da Copa Sul-Americana.

Era uma equipe que vinha representar bem o seu país", disse Hernando Quizano, 50 anos.

Medellín, que aguardava a decisão com ansiedade, deve ter uma noite com o estádio Atanasio Girardot lotado, mas desta vez sem futebol e com uma mensagem de solidariedade.



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