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Partitura manuscrita de Mahler bate recorde em leilão: US$ 5,6 milhões

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postado em 29/11/2016 17:37

AFP /Agence France-Presse

Uma partitura da Sinfonia nº2 do compositor austríaco Gustav Mahler se converteu nesta terça-feira no manuscrito musical mais caro do mundo ao ser leiloada em Londres por 4,5 milhões de libras (5,3 milhões de euros, 5,6 milhões de dólares), informou a casa de leilões Sotheby's.

A partitura do compositor austríaco (1860-1911) contém inúmeras edições e anotações do músico, que a escreveu no final do século XIX, e superou o recorde anterior de 2,5 milhões de libras, alcançado por nove sinfonias de Mozart em 1987.

O manuscrito de 232 páginas da "Ressurreição", como é conhecida a Sinfonia nº2, era propriedade do empresário americano Gilbert Kaplan, morto recentemente, que ficou obcecado pela obra após escutá-la em um concerto no Carnegie Hall de Nova York, em 1965.

Mahler a conservou em vida e, em 1920, sua viúva Alma a doou ao diretor Willem Mengelberg com ocasião do primeiro Festival Mahler de Amsterdã.

Após passar por algumas outras mãos, a partitura foi adquirida por Kaplan em 1984. Nunca tinha sido objeto de uma venda pública, até esta terça-feira, e está conservada do jeito que Mahler a deixou escrita.

"A partitura se manteve em seu estado original", com alterações e notas feitas em sua maioria em lápis azul, "refletindo e revelando como Mahler criou a estrutura final da sua obra", explicou a casa de leilões, que não revelou a identidade do comprador.

No mesmo leilão, uma partitura supostamente autografada por Ludwig van Beethoven, cuja autenticidade tinha sido posta em dúvida, ficou sem comprador.

O manuscrito de Allegretto em B Menor para Quarteto de Cordas foi à leilão com um preço inicial de 150.000 libras.

Uma das grandes sinfonias da sua época

É a primeira partitura manuscrita de Mahler a ir a leilão desde 1959. Desde então, não havia sido posta à venda nenhuma sinfonia completa manuscrita dos grandes compositores românticos - Johannes Brahms, Piotr Ilitch Tchaikovsky ou Anton Bruckner, além de Mahler.

A Sinfonia nº2 é considerada uma das melhores do seu tempo, uma composição monumental que demanda uma orquestra de 100 músicos, mais um coro.

A obra estreou em Berlim em 1895. Mahler começou a escrevê-la em 1888, quando ainda não havia estreado sua Sinfonia nº1.

"Este foi o primeiro grande trabalho no qual o compositor enfrentou os temas universais da vida e da morte, que eram tão característicos de sua obra", disse a Sotheby's.

Afetado pela perda de vários irmãos quando era pequeno, Mahler fez da morte um dos seus temas favoritos.

"A sinfonia 'Ressurreição' tem pontos em comum com um Réquiem, e reúne várias citações de compositores do século XIX, incluindo Beethoven", resume o Carnegie Hall na sua descrição da obra.

Em uma carta escrita em 1896, o compositor descreveu o desfecho da sinfonia nestes termos: "Não há Juízo Final, não há almas salvas nem condenadas; Não há homem justo, não há mal-feitor, não há juiz! Tudo deixou de ser. E começa suavemente e simplesmente ali: "Aufersteh'n, ja aufersteh'n" (o coro da Ressurreição: "Levante-se de novo, sim, levante-se").



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