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Queda de avião da Chapecoense na Colômbia deixa 75 mortos

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postado em 29/11/2016 13:31

AFP /Agence France-Presse

Setenta e cinco pessoas morreram e seis foram resgatadas com vida após a queda nas proximidades de Medellín do avião que transportava a equipe da Chapecoense, que disputaria na quarta-feira a final da Copa Sul-Americana contra o colombiano Atlético Nacional.

Das 81 pessoas que partiram na segunda-feira à noite de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), com destino a Medellín, seis levados com vida a hospitais nos arredores do município de La Unión, próximo a Cerro Gordo, zona montanhosa onde ocorreu o acidente, informou a Aeronáutica Civil em comunicado.

Os sobreviventes são o lateral Alan Ruschel, o goleiro Jackson Follmann, o zagueiro Hélio Hermito Zamper Neto, além do jornalista brasileiro Rafael Henzel e os tripulantes Ximena Suárez, comissária de bordo, e Erwin Tumiri, técnico da aeronave.

"As equipes de resgate nos confirmam que faleceu (o goleiro) Marco Danilo Padilha no trajeto" até o hospital, após ser inicialmente resgatado com vida, declarou à AFP um fonte da Aeronáutica Civil colombiana, que em seu último comunicado informou que seis dos 81 passageiros sobreviveram aos acidentes.

O avião de matrícula boliviana CP2933 da empresa Lamia se declarou em emergência por "falhas elétricas" às 22H00 locais (1H00 de Brasília), a 50 km de Medellín.

"Conversei nesta manhã com o presidente (Michel) Temer para expressar pessoalmente minhas condolências ao povo brasileiro e oferecer nossa cooperação nestes momentos difíceis", disse o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

"neste momento avançam as investigações sobre as circunstâncias exatas e possíveis causas desta triste tragédia", completou o mandatário.

- Escala na Bolívia -

A aeronave transportava nove tripulantes e 72 passageiros, incluindo os jogadores do clube de Santa Catarina, dirigentes da equipe e jornalistas. Os passageiros, oriundos do aeroporto de Guarulhos, fizeram escala em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), onde trocaram de avião rumo a Medellín.

Os trabalhos de resgate foram suspensos durante a madrugada por causa das condições meteorológicas "em una zona montanhosa de acesso muito difícil", 3.300 metros acima do nível do mar, e seriam retomados durante a manhã.

Para chegar a esta colina, as equipes de resgate precisam percorrer mais de meia hora a pé com as macas.

O acidente aconteceu em Cerro Gordo, entre os municípios de La Ceja e La Unión, no departamento de Antioquia (noroeste), informou o aeroporto José María Córdova de Rionegro, que serve a região de Medellín, em um comunicado.

A Unidade Nacional para a Gestão de Risco de Desastres (UNGRD) mobilizou 150 agentes das equipes de emergência e acionou a rede hospitalar.

A modesta Chapecoense surpreendeu o futebol do continente ao avançar para a final da Copa Sul-Americana depois de eliminar nas semifinais o tradicional San Lorenzo da Argentina.

"Estamos reunidos no estádio, recebendo as pessoas envolvidas, as pessoas que amam a Chapecoense. (...) Até agora não caiu a ficha. Estamos no aguardo, todo mundo confiando em Deus que as coisas vão acontecer dando certo para nós, e que nossa Chapecoense vai ter que continuar. É complicada a dor. Eu que estou há muito tempo envolvido na Chapecoense, sei o que passamos até aqui. Agora que chegamos, não vou dizer no auge, mas em destaque nacional, acontece uma tragédia dessas. É muito difícil, uma tragédia muito grande", afirmou, comovido, o vice-presidente do clube Ivan Tozzo.

O governo brasileiro decretou luto oficial de três dias pela tragédia.

Primeiro aconteceu uma declaração de emergência e poucos minutos depois ocorreu o acidente, afirmou à AFP um porta-voz da Aviação Civil.

Nove jogadores da Chapecoense não viajaram a Colômbia por decisão técnica e permaneceram no Brasil: Rafael Lima, Nenem, Demerson, Marcelo Boeck, Andrei, Hyoran, Alejandro Martinuccio (argentino), Moisés e Nivaldo.

Há duas semanas, o mesmo avião havia sido utilizado pela seleção argentina, com Lionel Messi a bordo, na viagem de Buenos Aires até San Juan para a partida contra a Colômbia pelas eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia-2018.

- Milagre sul-americano -

A Conmebol anunciou a suspensão da partida de ida da final da Copa Sul-Americana e do congresso da entidade, que aconteceria na quarta-feira em Montevidéu.

O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, viajou a Medellín.

O adversário do time catarinense, Atlético Nacional, manifestou sua solidariedade nas redes sociais. "Nacional lamenta profundamente e se solidariza com @chapecoensereal pelo acidente ocorrido e espera informações das autoridades", publicou o clube no Twitter.

"Estamos no local, respeitando a operação dos organismos de resgate e tentando saber como podemos ajudar", afirmou o presidente do clube, Juan Carlos de la Cuesta.

A classificação para a final na semana passada, com um empate de 0-0 contra o tradicional San Lorenzo da Argentina, provocou uma grande festa em Chapecó, cidade de 200.000 habitantes no oeste de Santa Catarina.

Clube fundado em 1973, a Chape fez história ao se classificar para a decisão da Sul-Americana logo na sua segunda participação a uma competição internacional.

O 'Verdão do Oeste', que disputa a Série A do Brasileirão desde 2013, eliminou gigantes do futebol argentino, como o Independiente, recordista de títulos na Libertadores (7), nos pênaltis nas oitavas de final, e o Junior Barranquilla nas quartas.

Nas semifinais, um empate de 1-1 na Argentina com o San Lorenzo e o 0-0 no jogo de volta carimbaram a vaga na decisão continental.

A Chape quase desapareceu há uma década. À beira da falência, a continuidade do clube parecia difícil.

Mas o clube iniciou a recuperação em 2009, quando conseguiu uma vaga na Série D. A partir de então, o time iniciou uma arrancada que, sete anos depois, transformou a Chape em sensação sul-americana.



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