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Grande homenagem a Fidel Castro em sua amada Praça da Revolução

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postado em 29/11/2016 00:07

AFP /Agence France-Presse

Aos prantos, ou em silêncio, milhares de cubanos caminhavam nesta segunda-feira (28) pela Praça da Revolução, onde Fidel Castro criticou os Estados Unidos inúmeras vezes, para prestar uma homenagem póstuma a seu líder.

A peregrinação ao coração político de Havana, lugar onde Castro seduziu multidões com seus discursos - quase sempre feitos contra o "império perverso" - abriu uma semana de homenagens ao líder da Revolução Cubana, que morreu na última sexta-feira (25), aos 90 anos.

Pelo menos 25 líderes estrangeiros, entre eles 15 presidentes da América Latina e da África, confirmaram sua presença nos funerais, informou a Chancelaria cubana.

Entre os presidentes, estão o venezuelano Nicolás Maduro, o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa, o nicaraguense Daniel Ortega, o colombiano Juan Manuel Santos, o panamenho Juan Carlos Varela e o mexicano Enrique Peña Nieto, segundo a lista entregue à imprensa internacional.

Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, o presidente eleito Donald Trump, que chamou Fidel de um "brutal ditador", ameaçou pôr fim à aproximação entre Washington e Havana, se não obtiver concessões da Ilha em matéria de economia e de direitos humanos.

"O povo cubano nunca vai dar um passo atrás. O governo de Fidel é histórico. Trump é um estúpido ao declarar essas coisas em um momento em que o povo está de luto!", disse enfurecido Mauricio Paz, um ex-guerrilheiro de 76 anos.

O desagrado por Trump invadiu as longas filas feitas por cubanos de todas as idades, que aguardavam pacientemente para entrar no memorial José Martí, onde há um altar adornado com flores brancas com a imagem de Fidel de barba preta, erguido e vestido como um guerrilheiro.

"Estou com toda a minha família no mesmo lugar onde eu vinha escutá-lo quando criança e trago meus filhos que algum dia compreenderão e saberão que estiveram aqui para homenagear seu comandante", afirmou Amílcar Ramos, de 33 anos.

Esse trabalhador de uma empresa estrangeira chegou com seus filhos de sete e três anos. Junto com ele estavam médicos, militares e inúmeras pessoas.

Os cubanos esperavam poder prestar homenagem às cinzas do homem que governou sem concessões durante 48 anos, antes de uma doença obrigá-lo a entregar o poder em 2006 para seu irmão Raúl. Mas o governo, que não tem dado detalhes sobre a morte de Fidel Castro, não exibiu as cinzas.

Personalidades e multidões

As homenagens na Praça da Revolução vão durar até terça-feira. No dia seguinte, será iniciada uma procissão que percorrerá 13 das 15 províncias - cerca de 1.000 km - e que terminará no domingo, em Santiago de Cuba, onde se espera que as cinzas sejam depositadas no cemitério Santa Efigênia.

Na terça-feira à noite, terminará a homenagem em Havana, com uma "cerimônia das massas" convocada pelo governo dentro dos nove dias de luto nacional que decretou.

Transformado em protagonista do último século, a morte de Fidel Castro desencadeou reações em todo o mundo.

Em Cuba, a dizimada dissidência suspendeu qualquer ato de repúdio contra o líder por respeito ao luto nacional, enquanto os exilados em Miami continuam festejando sua morte.

Daniel Martínez, um cozinheiro de 33 anos, não é opositor, mas tampouco planeja ir à Praça da Revolução.

"Não tenho nada contra Fidel pessoalmente, mas não sou castrista (...). Não gosto desse sistema nem com Fidel, nem com Raúl, porque aqui nada muda", expressou.

"Império perverso"

O histórico líder, que instaurou um regime comunista a menos de 200 km da costa dos Estados Unidos em plena Guerra Fria, pronunciou seu último discurso na Praça da Revolução em 1º de maio de 2006, dois meses antes de ficar gravemente doente em consequência de uma hemorragia intestinal.

Nesse dia, Fidel falou sobre a economia, destacou as conquistas da revolução iniciada em 1959 e se referiu aos Estados Unidos como um "império perverso".

Com 72.000 m2, a praça - que desde as primeiras horas do dia é cruzada pelos cubanos em longas filas - possui o monumento de José Martí, herói da independência do país. À frente está o edifício com a icônica imagem de Che Guevara.

Em março deste ano, Barack Obama esteve neste mesmo local durante a primeira visita feita por um presidente dos Estados Unidos em 88 anos.

Obama e Raúl Castro restabeleceram as relações bilaterais rompidas por mais de meio século, apesar de ainda persistir o embargo tão criticado por Fidel e que apenas pode ser aliviado pelo presidente americano em fim de mandato.

Mas o processo de normalização das relações parece cada vez mais comprometido com a chegada de Trump à Casa Branca.

"Se Cuba não estiver disposta a alcançar um acordo melhor para o povo cubano, com os cubano-americanos e os Estados Unidos como um todo, colocarei fim ao acordo", escreveu Trump no Twitter.

O analista Michael Shifter, do think tank Inter-American Dialogue, considera que a morte de Fidel Castro obrigou Trump a "contentar" os cubano-americanos.

"O que está claro é que a administração Trump vai ter uma retórica mais forte contra a Ilha. O que isso irá implicar nos avanços feitos por Obama? Ainda é um mistério", disse à AFP.

Em meio a esse momento de consternação, aterrissou em Havana o primeiro voo regular vindo dos Estados Unidos em mais de 50 anos. Desde agosto, as linhas aéreas americanas estavam voando em diferentes locais de Cuba, mas não na capital.

Fidel nunca se opôs abertamente à aproximação com os Estados Unidos feita por seu irmão, mas deixou clara sua desconfiança com o "império".



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