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Alemanha investigará influência de redes nazistas na chancelaria

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postado em 26/11/2016 15:55

AFP /Agence France-Presse

O governo alemão vai dedicar quatro milhões de euros para tentar investigar a influência das redes neonazistas nas "autoridades centrais" depois de 1945, em particular dentro da chancelaria, anunciou o ministério da Cultura.

O objetivo do programa, previsto até 2020, é completar os cerca de vinte estudos sobre o tema realizados em alguns ministérios e instituições.

Um milhão de euros serão destinados a investigar a influência das redes neonazistas na chancelaria.

Trata-se de esclarecer a "continuidade pessoal" na chancelaria antes e depois de 1945 - ou seja, a continuidade no cargo de ex-encarregados do Terceiro Reich - e a política de recrutamento e evolução "das mentalidades e da cultura política", indicou o ministério da Cultura no comunicado.

O estudo aponta em particular a esclarecer o papel de Hans Globke, chefe da chancelaria entre 1953 e 1963, que supervisionava o recrutamento dos funcionários.

Hans Globke foi considerado o conselheiro mais próximo do chanceler conservador Konrad Adenauer, que comandou o governo alemão de 15 de setembro de 1949 a 23 março de 1963.

Hans Globke, jurista e alto funcionário no ministério nazista do Interior, tinha trabalhado na equipe que endureceu as leis raciais de Nuremberg e colaborou na redação do "Código Judaico", aplicado na Eslováquia, país aliado do Terceiro Reich.

A influência dos juristas nazistas muito tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial e o fim do nazismo em postos-chave da jovem democracia da Alemanha ocidental é uma das principais lições dos estudos realizados em cada ministério.

Um informe governamental, publicado no começo de outubro, revelou, por exemplo, que em 1957, 77% dos quadros dirigentes do ministério da Justiça eram antigos membros do Partido Nacional Socialista (NSDAP), uma proporção desconhecida.

O mais célebre deles era o ex-magistrado nazista Eduard Dreher, que em 1968 redigiu uma lei de aparência técnica, que complicou a ação judicial contra os ex-criminosos do Terceiro Reich, pondo fim a quase todas as investigações em curso.



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