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Operação Carlota, a maior campanha militar de Fidel Castro

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postado em 26/11/2016 14:07

AFP /Agence France-Presse

Quando Fidel Castro enviou em segredo o primeiro contingente de soldados a Angola em 1975, Cuba se meteu de cabeça na "Operação Carlota", a maior campanha militar latino-americana em outro continente, que se estendeu por 16 anos e envolveu mais de 400.000 cubanos.

Ao enviar suas tropas a 14.000 km da costa cubana, Fidel respondeu ao pedido de seu amigo Agostinho Neto e seu Movimento para a Liberação de Angola (MPLA), que acabava de chegar ao poder após a retirada portuguesa.

Neto enfrentava a ameaça das guerrilhas de Holden Roberto -apoiado pelo Zaire- e da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), de Jonas Savimbi, que agia com o respaldo e participação da África do Sul.

- Velhos aviões e navios mercantes -

Castro enviou em outubro de 1975 um primeiro contingente militar por avião através do Congo-Brazzaville, para impedir que aquelas forças tomassem Luanda antes de 11 de novembro, dia que se proclamou a independência.

Um velho avião Bristol Britannia -um quadrimotor a hélice fabricado na Grã Bretanha no começo dos anos 1950- aterrizou de noite com as luzes apagadas levando as primeiras tropas e surpreendendo os dois grandes polos mundiais, Moscou aliado e Washington inimigo.

Aviões civis e navios mercantes atravessaram o Atlântico com homens e armas durante anos.

A amizade entre Neto e Castro começou com os contatos estabelecidos em 1965 entre o líder africano e Ernesto Che Guevara, pouco antes de o argentino organizar o apoio cubano às guerrilhas lumumbistas no ex-Congo Belga.

- Dívida com a África -

A presença militar em Angola, que de uma forma ou de outra teve impacto em toda a população cubana, se justificou como dívida de identidade nacional com a África pelos escravos negros que chegaram à ilha na época de colônia e por um motivo político, o internacionalismo.

A guerra, com apoio material soviético, durou até 1988, quando após a vitória Cuba iniciou uma gradual retirada de suas tropas, concluída em 1991.

Nenhum país da América Latina teve até agora uma mobilização dessa dimensão em outro continente. Nos 16 anos de apoio militar ao governo do MPLA intervieram de forma rotativa mais de 377.000 soldados e 56.000 oficiais cubanos. Só na última etapa da decisiva vitória de Cuito Cuanavale havia 50.000 cubanos em território angolano.

Após a retirada cubana, ambos os países mantiveram relações econômicas com investimentos mútuos e missões militares de Luanda visitam Havana frequentemente.

A presença militar e civil cubana se estendeu à Etiópia e a outros países africanos. O saldo final foi de 2.289 mortos entre civis e militares, deles 863 em ações de combate, 597 por doenças e 829 em acidentes.

Além de Angola, os cubanos cumpriram missões de guerra no Congo, na Argélia, na Síria e em Cabo Verde, na Guiné Bissau, entre outros países.

Mas um grupo de altos militares cubanos que esteve em Angola se envolveu em operações de tráfico de marfim e pedras preciosas. Depois, alguns foram julgados por narcotráfico.

Esse foi o polêmico caso do general Arnaldo Ochoa, chefe do corpo expedicionário em Angola, que em 1989 foi fuzilado junto com outros três oficiais.



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