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Fidel e Raúl Castro, irmãos diferentes e companheiros

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postado em 26/11/2016 11:31

AFP /Agence France-Presse

Fidel e Raúl Castro, que assumiram o poder com a vitória da revolução cubana em 1959, eram dois irmãos muito diferentes em vários aspectos, mas com uma causa comum que os transformou em parceiros complementares e que os manteve unidos por toda a vida.

Fidel, com a simbólica barba de guerrilheiro, era alto, carismático, loquaz e "vulcânico" - de acordo com um de seus grandes amigos, o falecido cineasta cubano Alfredo Guevara -, enquanto Raúl, cinco anos mais novo, tem estatura mediana, calvo, de poucas palavras e é inimigo do improviso.

Fidel influenciou a formação intelectual e política do irmão, de acordo com entrevistas publicadas por Ignacio Ramonet no livro "100 horas com Fidel".

Sempre como coadjuvante, Raúl apoiou o irmão no ataque ao Quartel Moncada (1953), na expedição do iate Granma (1956), na luta da guerrilha em Sierra Maestra (1957-58) e ao longo de todo seu governo (1959-2006).

Fidel (que nasceu em 1926) e Raúl (em 1931) foram dois dos sete filhos do proprietário de terras espanhol Angel Castro e da camponesa cubana Lina Ruz. Os outros irmãos são Angelita (1923, falecida em fevereiro de 2012), Ramón (1924), Juanita (1933), Enma (1935) e Agustina (1938). Todos o ajudaram nos anos de luta de guerrilha, mas sem entrar na mesma.

Continuaram unidos aos irmãos durante todos os anos, mas sem aparições públicas, com exceção de Juanita que, crítica do rumo comunista assumido pela revolução, se exilou em 1964 em Miami, denunciou publicamente o regime de seus irmãos e colaborou com a CIA, sob o codinome "Donna", nos planos para tentar derrubar Fidel, segundo ela mesma confessou anos depois.

Apesar de muitos atribuírem a ele uma defesa incondicional e sem limites em relação a Fidel, Raúl "sempre teve critérios muito próprios", segundo o irmão.

Se em algum momento foram registradas divergências ou diferenças de conceito, estas permanecerão como grandes segredos da revolução, que nunca serão revelados, já que ambos estavam convencidos de que sua principal arma estratégica era a unidade.

No quesito amizade também eram diferentes: Fidel tinha poucos amigos cubanos conhecidos, pois a grande maioria se reconhecia como subalterno ou seguidor do comandante-em-chefe. Raúl, no entanto, tem grandes amigos entre os generais e altos funcionários, como José Ramón Fernández e Jaime Crombet.

O falecido cineasta Alfredo Guevara era, pelo que se sabe, o único amigo comum. O colombiano Gabriel García Márquez, falecido vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, era um dos grandes amigos estrangeiros de Fidel. O falecido bailarino flamenco Antonio Gades, sepultado em Cuba, foi um grande amigo de Raúl (que de modo antecipado construiu seu túmulo a poucos metros da sepultura do artista).

- Fidel é Fidel -

Raúl sempre reconheceu a liderança indiscutível do irmão e não tentou imitá-lo.

"Fidel é Fidel, todos sabemos bem. Fidel é insubstituível e o povo continuará sua obra quando já não estiver fisicamente", afirmou ao assumir formalmente a presidência de Cuba em fevereiro de 2008.

De acordo com Fidel, Raúl era a pessoa com "mais autoridade, mais experiência e mais capacidade" para substituí-lo quando ficou doente em julho de 2006 e entregou o comando do país.

Enquanto Fidel governava, Raúl se mostrou a mão dura do regime, como nos fuzilamentos de torturadores do governo do ditador destituído Fulgencio Batista, em 1959.

Também criou as Unidades Militares de Ajuda à Produção, campos de trabalho forçado e reeducação para homossexuais, religiosos e desafetos, assim como trabalhou para a dissolução de grupos intelectuais como o Pensamento Crítico (1972) e o Centro de Estudos da América (1996).

Mas quando Raúl assumiu o comando em 2006, o mundo começou a perceber sua imagem de pragmático e flexível, ao mesmo tempo que muitos passaram a considerar Fidel um freio às reformas.

No fim de sua vida, Fidel viu algo que parecia impossível: o fim da inimizade entre Cuba e Estados Unidos, que restabeleceram relações diplomáticas em 20 de julho de 2015, encerrando o último capítulo da Guerra Fria na América.

Ícone da esquerda latino-americana, Fidel manteve a influência sobre a mesma com sua relação paternal com o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez e com o boliviano Evo Morales, assim como com suas publicações na imprensa, "Reflexões do Companheiro Fidel", que publicava regularmente depois de deixar o poder.

Raúl, que viajou pouco ao exterior, não publica artigos na imprensa e fez poucas aparições públicas, o que abriu espaço no cenário regional para Chávez, até sua morte em março de 2013.

Onipresente em seu governo, Fidel acompanhou e decidiu tudo, método que a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos chamou de "microadministração".

O general Raúl Castro apresentou uma equipe de várias pessoas e governa de acordo com uma cadeia de comando de estilo militar.

Fidel manteve a vida privada longe dos holofotes, teve filhos com várias mulheres e nunca revelou onde seria sepultado.

Raúl, um homem de família que toma café da manhã aos domingos com os netos, divulgou ao país o local que construiu para que suas cinzas sejam espalhadas, na província de Santiago de Cuba, quando espalhou no local as cinzas da esposa e companheira de toda a vida, Vilma Espín, em junho de 2007.



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