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Indústria carcerária ganha novo fôlego nos EUA após eleição de Trump

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postado em 25/11/2016 19:25

AFP /Agence France-Presse

A vitória de Donald Trump surpreendeu os setores econômicos, mas revitalizou um setor pouco conhecido nos Estados Unidos: a indústria privada das penitenciárias e dos centros de detenção para imigrantes.

No dia seguinte à eleição do magnata imobiliário, as ações das duas principais empresas do setor, Corecivic (antes chamada Corrections Corporations of America) e GEO Group, aumentaram respectivamente 43% e 21%, depois de passarem muitos meses à beira da morte.

Em meados de agosto, a administração do presidente Barack Obama anunciou que deixaria de recorrer às prisões privadas, que representam a maior parte das atividades dessas empresas.

A candidata democrata Hillary Clinton prometeu seguir essa orientação e afirmou que não deveria haver "motivações financeiras para encher as prisões com jovens americanos", apesar de centros de detenção privados abrigarem uma ínfima parte (cerca de 0,5%) dos 2,2 milhões de pessoas encarceradas nos Estados Unidos.

A eleição de 8 de novembro mudou o cenário e a percepção dos investidores. Trump conquistou a Casa Branca com promessas de uma política repressiva baseada "na lei e na ordem" e de expulsão de 11 milhões de imigrantes em situação irregular, o que poderá aumentar as prisões.

Nos Estados Unidos, os centros de detenção para imigrantes são, em sua grande maioria, administrados por essas mesmas empresas privadas, em particular Corecivic e GEO Group, e sob o controle da agência federal de imigração e alfândega (ICE na sigla em inglês).

Consequentemente, a promessa do candidato Trump de expulsar entre dois e três milhões de imigrantes nos primeiros dias de seu mandato deve gerar um boom de atividade para o setor.

"Isso se traduzirá em um forte aumento da quantidade de imigrantes detidos porque não será possível expulsar essa gente sem passar por um processo judiciário e, por fim, por uma detenção", declarou à AFP, Bethany Carson, da ONG de luta contra a prisão em massa GrassRoots leadership.

Aproximadamente 400.000 imigrantes são detidos anualmente nos Estados Unidos, segundo diferentes estimativas, o que representa custos para o contribuinte e receitas para as empresas: uma cama de adulto em um centro de detenção custa 123 dólares por dia, e 342 se for uma unidade familiar, segundo fontes oficiais.

Segundo a consultora IBISWorld, essa indústria da retenção de pessoas à espera de ser expulsas representa atualmente 21% de um mercado global da prisão privada estimado em 5,3 bilhões de dólares nos Estados Unidos.

Racionalizar os custos

"Esse número deve crescer nos próximos cinco anos, em um momento em que os principais atores do setor (...) ampliam suas capacidades de acolhida de imigrantes ilegais", prevê o relatório do IBISWorld, publicado logo antes da vitória de Trump.

Contatados pela AFP, os dois gigantes do setor se mostram precavidos e se contentam simplesmente em defender sua aliança com o setor público, em nome de uma racionalização dos custos.

"Estamos prontos para continuar com nossa associação de longa data com o governo federal para fornecer serviços de correção, de detenção e de reinserção de alta qualidade", respondeu por e-mail o vice-presidente do GEO Group, Pablo Paez.

Qualquer que seja a orientação da futura administração Trump, as empresas do setor poderão contar com um tipo de ganho, já que as perspectivas são promissoras para elas.

Desde 2009, o Congresso obriga a administração a ocupar, diariamente, 34.000 camas nos centros de detenção com o objetivo de manter os esforços na luta contra a imigração clandestina, uma medida muito conveniente para o setor privado.

Crítica da falta de controle das autoridades e das condições de detenção dos imigrantes, a associação de defesa dos direitos civis ACLU pediu recentemente às autoridades "que se desfaçam da dependência" do setor privado.

Não é certo, de qualquer forma, que o presidente Trump siga esse caminho. "Acho que podemos fazer muitas privatizações e prisões privadas. Parece funcionar muito melhor", declarou em março.



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