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Menores de Calais continuam à espera de cruzar o Canal da Mancha

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postado em 23/11/2016 15:16

AFP /Agence France-Presse

Eles sonham em chegar ao Reino Unido, mas os menores de idade da "Selva" de Calais transferidos para os centros de acolhida na França após o desmantelamento do acampamento de imigrantes continuam à espera de uma decisão de Londres, que parece endurecer sua postura.

Em 24 de outubro começou o desmonte deste grande acampamento ilegal situado no porto de Calais, em frente à costa britânica, onde viviam mais de 7.000 migrantes, em sua maioria afegãos, eritreus e sudaneses. Entre eles também havia 1.900 menores de idade.

Todos foram expulsos em poucos dias e logo evacuados, antes de serem levados para centros de acolhida espalhados por toda a França.

Um mês depois de seu fechamento, o local onde estava a "Selva" está agora vazio e é vigiado pelas forças de segurança.

A cerca de 500 metros de distância, o porto de Calais, o mais importante da França e o segundo da Europa, parece ter recuperado sua atividade normal. Desde o início de novembro, os transportadores voltaram ao porto e o tráfego aumentou em 10%.

Mas a 40 quilômetros de Calais continua existindo outro acampamento, situado no povoado de Grande-Synthe.

As instalações, abertas em março pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e pela Prefeitura de Grande-Synthe, que hoje tem o apoio do governo, acolhem 1.000 migrantes e às vezes têm que fazer frente a grupos de traficantes violentos.

O acampamento, com capacidade para 1.500 pessoas, não tem data de fechamento e não aceita novos migrantes, mesmo que sejam mulheres ou crianças.

Critérios restritivos

Os menores de idade que estavam em Calais agora se encontram instalados em centros ao longo da França, onde esperam uma resposta a suas demandas de transferência para o Reino Unido, e que são examinadas por Londres.

Segundo o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, os britânicos se comprometeram a acolher os menores isolados que estavam em Calais e os que conseguissem comprovar laços familiares.

Desde meados de outubro, 300 jovens cruzaram o Canal da Mancha, mas agora Londres endureceu seus critérios.

Para poderem ser acolhidos, deverão ter 12 anos ou menos ou terem sido expostos a um alto risco de exploração sexual. No caso de sírios e sudaneses, eles devem ter 15 anos ou menos, mas poderão aceitar menores de 18 anos acompanhados de outro menor que cumpra um dos três critérios.

A esses parâmetros acrescenta-se mais uma condição: os menores devem ter chegado a Calais o mais tardar em 24 de outubro, dia que começou o desmantelamento da "Selva".

Alf Dubs, deputado trabalhista da Câmara dos Lordes e impulsionador de uma emenda para acolher as crianças refugiadas, criticou esses critérios e acusou o governo de "não cumprir sua promessa (...) para acolher apenas uma parte das crianças".

Por isso, o futuro dos que vivem na "Selva" é incerto.

"Existe o risco de que voltem para Calais ou fiquem em Paris", afirma Christian Salomé, da associação Auberge de Migrants, pois muitos dos que aceitaram ir para outros centros de acolhida "acreditaram que logo passariam" para o lado britânico.

Um sonho que agora parece cada vez mais distante.



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