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Colômbia e Farc impulsionam novo acordo de paz contra o tempo e Uribe

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postado em 22/11/2016 19:31

AFP /Agence France-Presse

Com o tempo e o ex-presidente Álvaro Uribe contra eles, o governo da Colômbia e as Farc impulsionavam nesta terça-feira (22) a implementação do novo acordo de paz selado há dez dias, após incluir propostas de setores que rejeitaram nas urnas o acordo original.

Membros da cúpula guerrilheira, incluindo seu líder máximo, Rodrigo Londoño ("Timochenko"), chegaram na segunda-feira (21) a Bogotá para acertar os últimos detalhes da assinatura oficial do texto, tendo ainda outro tema de fundo: a onda de assassinatos e de ameaças a líderes sociais que pode prejudicar a realização do pacto de paz.

Essa violência se une a outros dois obstáculos no caminho para acabar com um conflito armado de mais meio século. Na noite de ontem, o atual senador Álvaro Uribe, após alguns dias de suspensão, rejeitou o novo acordo e pediu, em troca, uma reunião com as Farc.

"Temos toda a disposição para dialogar com o governo e com as Farc sobre as modificações nos temas referidos. Para este diálogo, propomos aproveitar a presença dos líderes das Farc em Bogotá", disse Uribe, pedindo, por exemplo, que não se permita a elegibilidade política de responsáveis por crimes atrozes enquanto cumprem suas penas e que o acordo não seja incluído na Constituição.

Para o diretor do centro de análises de conflito Cerac, o analista Jorge Restrepo, está "claro que seria melhor ter um acordo de consenso, mas isso é quase impossível de conseguir com o que o Centro Democrático (partido de Uribe) está pedindo às Farc, que é que não se elejam politicamente".

"Está bem que esse acordo tenha uma oposição, porque supõe que deve haver uma demonstração das partes de sua vontade para cumprir o oferecido. Uribe, além disso, não tem poder de veto, ou de bloqueio", completou Restrepo.

O encontro com Uribe foi praticamente descartado nesta terça pelo comandante guerrilheiro Pablo Catatumbo, membro da equipe negociadora de paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que disse que não permitirão que o ex-presidente "atrase" a aplicação do acordo.

"Uribe governou mal, corrompeu e encheu a Colômbia de sangue durante oito anos e nunca quis a paz, mas a derrota das Farc. Isso não pode. Atrasar, não", escreveu no Twitter.

O alto comissário para a paz do governo, Sérgio Jaramillo, também não entendeu a lógica do pedido de Uribe, principalmente - disse ele à Blu Radio- se "partirmos do princípio de que o acordo se encerrou".

"Que sentido pode ter essa reunião? Já não sei. É uma decisão do presidente da República (realizá-la, ou não), mas lembremos que o acordo está concluído", insistiu.

'Momento crítico'

Jaramillo deu essas declarações após participar na noite de segunda-feira de uma reunião com representantes de setores que se opuseram ao acordo de paz original no plebiscito de 2 de outubro. No encontro, explicou a eles as alterações introduzidas no texto após sua renegociação com as Farc em Cuba, onde as partes dialogaram durante quatro anos.

"Acreditamos que o que devemos fazer é, com o acordo terminado, passar à implementação, que urge e que tem milhares de temas e de detalhes onde possam ser dadas ainda mais garantias (aos opositores) além das muitas que já demos com as mudanças que fizemos", disse.

"Realmente temos um problema de tempo extremamente grave. Uma guerrilha não pode ficar na incerteza como as Farc estão e temos que passar para a implementação", acrescentou.

Santos também se referiu ao "momento crítico" em que o processo de paz com as Farc se encontra, em uma coluna publicada nesta terça-feira no jornal americano Wall Street Journal, na qual se diz "orgulhoso de trabalhar com o Congresso (...) para implementar este acordo melhorado".

As Farc e o governo mantêm um cessar-fogo bilateral desde o fim de agosto, apesar da rejeição ao acordo nas urnas e cuja "fragilidade" é uma das razões pelas quais insistem na rápida implementação do pacto.

Na semana passada, dois guerrilheiros das Farc morreram em supostos confrontos com o Exército. Foi o primeiro incidente notificado durante o cessar-fogo. Na segunda-feira, a guerrilha denunciou "um genocídio" em andamento contra líderes sociais do país.

Nesta terça-feira, Santos presidia uma reunião de alto nível sobre direitos humanos para buscar frear essa onda de violência, a qual já deixou - segundo a guerrilha - ao menos três mortos, e além de dois atentados registrados nos últimos três dias.

Na saída do encontro, o presidente colombiano disse que não permitirá que "os violentos coloquem em risco os avanços e as esperanças de paz" na aplicação do acordo com as Farc.

"Esses fatos são uma evidência palpável, dramática dos riscos que a incerteza nos traz diante da implementação do pacto e paz", acrescentou.

Santos também urgiu que acelerem a implementação do acordo, apesar dos impasses.

"Esse limbo vai aumentando os riscos. Por isso, a urgência de tomar decisões. É urgente passar para a fase seguinte de agrupamento e de alocação das Farc nas veredas para garantir o cessar-fogo e também dar garantias a todos os cidadãos" nesses locais, concluiu o presidente, referindo-se às seções administrativas nos municípios onde as armas serão entregues.



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