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'Cocheiros das ondas' chineses fazem as últimas viagens

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postado em 22/11/2016 15:55

AFP /Agence France-Presse

Com uma sonora chicotada, Qin Yusheng faz as mulas que puxam sua pequena carroça avançarem em meio às ondas de uma praia no nordeste da China, para buscar a pesca do dia e trazê-la para a costa.

Durante décadas, os carrinhos puxados por cavalos circularam pelas águas rasas da península perto de Xianrendao, indo ao encontro dos arrastões apinhados de águas-vivas ancorados nas margens do Mar Amarelo.

Agora, o 'cocheiro das ondas' Qin, 55 anos, está pronto para vender suas duas últimas mulas e se aposentar.

A pesca de águas-vivas, populares na culinária chinesa, está em transformação, e logo a atividade tradicional da sua região vai virar história.

Não muito tempo atrás, Qin e sua equipe de cavalos e mulas passavam 12 horas por dia fazendo viagens de ida e volta entre os barcos de pesca e a costa, transportando as águas-vivas capturadas.

Os pescadores esvaziavam suas presas escorregadias em dezenas de carroças puxadas a cavalo, que as levavam até os galpões de processamento.

Agora, os barcos vão até um novo pier de concreto, construído perto de Xianrendao, na província de Liaoning, e descarregam seus produtos diretamente nos caminhões que os levam para as fábricas da região.

"Não há mais muita necessidade" de usar os carrinhos puxados por animais, e "eu não tenho escolha a não ser me aposentar", reflete Qin, que até lá se dedica a transportar pequenas presas, como caranguejos.

Outro cocheiro, Wang Fenghu, vendeu seus quatro cavalos há cerca de dez anos, e com o dinheiro recebido abriu uma mercearia.

"Ainda não vendi minha carroça, mas agora ela só é boa para fazer lenha", acrescenta nostálgico.

Qin Yusheng, por enquanto, continua rodando em direção aos arrastões ancorados.

"Eu tento fazer o máximo possível de trajetos, mas estou ficando velho", diz. "Quando as mulas se recusam a obedecer, à noite eu estou exausto", confessa.

"No ano que vem, vou vender as mulas para camponeses ou para o matadouro. Me parte o coração, mas não tenho escolha", lamenta um dos últimos cocheiros do mar que restam na China.



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