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Estado de Minas

Novidades marcam reabertura do Presépio do Pipiripau; veja fotos

Casa que abriga o maquinário da obra também foi restaurada. Além disso, um visor para observação das peças estará disponível para o público


postado em 26/04/2017 06:00 / atualizado em 26/04/2017 08:16

Presépio conta com 586 figuras em uma área de 20 metros quadrados(foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
Presépio conta com 586 figuras em uma área de 20 metros quadrados (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
Exatamente cinco anos depois de fechado ao público, um dos mais belos patrimônios da capital será reinaugurado hoje com a emoção, alegria e admiração que merece. Em cerimônia marcada para as 10h, no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Bairro Santa Inês, na Região Leste, o centenário Presépio do Pipiripau entra de novo em cena para contar a história de Jesus, Maria e José de um jeito bem mineiro.

Numa área de 20 metros quadrados, estão distribuídas 586 figuras entre cerca de 3 mil peças criadas pelo artesão Raimundo Machado Azeredo (1894-1988) e, na tarde de ontem, o Estado de Minas acompanhou a conclusão da montagem e a dinâmica do presépio que encanta a cada segundo. Contemplando pela primeira vez o acervo restaurado por completo, a bibliotecária Alice Clara, há 29 anos na universidade, não conteve as lágrimas. “Vi o empenho de toda a equipe nesse trabalho. Conheço o Pipiripau desde criança e vê-lo agora é muito importante. Fico feliz”, afirmou.

Com 45 cenas em movimento e sobre um tablado em vários níveis, o presépio mostra momentos da história sagrada, como a natividade na gruta de Belém, a matança dos inocentes, o Menino Jesus entre os sábios do templo, a santa ceia e outros quadros que traduzem a cultura mineira, como uma igreja colonial com os sinos tocando, um barqueiro no lago, pescadores à beira de um rio, um sanfoneiro e um sapateiro. “O presépio está funcionando maravilhosamente. É uma obra ímpar por sua delicadeza, inocência e capacidade de nos transformar”, ressalta o professor da Escola de Belas-Artes da UFMG, Fabrício Fernandino, coordenador geral do projeto de restauração e professor da Escola de Belas Artes.

Quem visitar o presépio terá novidades, a começar pela casa que o abriga, igualmente restaurada e com equipamentos para facilitar a visualização e compreensão do Pipiripau. Na varanda, há um visor (pano de vidro) que permite a qualquer um vislumbrar o funcionamento do maquinário de madeira e engrenagens, enquanto no fundo está a sala de manutenção. Na sala principal, onde fica o presépio, a arquibancada foi retirada, garantindo mais espaço para o público acompanhar a apresentação com 10 minutos de duração. O projeto abrangeu a restauração e modernização da obra, aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com financiamento regulado pela Lei Rouanet e patrocínio do Instituto Unimed-BH. O custo da intervenção foi de R$ 565 mil.

Ver galeria . 6 Fotos Obra que conta a história de Jesus, Maria e José de um jeito bem mineiro ficou cinco anos fechada, mas foi totalmente restaurada Leandro Couri/EM/D.A PRESS
Obra que conta a história de Jesus, Maria e José de um jeito bem mineiro ficou cinco anos fechada, mas foi totalmente restaurada (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS )

NOVIDADES
E tem muito mais na casa que abriga a obra de valor histórico e cultural: ao lado do presépio, foi reservado um espaço para exposição de painéis e instalado um monitor mostrando vídeos sobre o patrimônio concebido por “seu” Raimundo, um homem autodidata. Para conhecer melhor a história dele, outro ambiente recria a oficina na qual trabalhou para entregar, aos mineiros e visitantes, algo tão especial e comovente até para quem lida com ele diariamente desde 1993.

Responsável pela manutenção do acervo, tendo participado inclusive da montagem e desmontagem, Carlos Adalberto Alves do Santos, de 47 anos, só tem uma palavra – “maravilhosa” – para resumir o restauro da obra coordenada pela diretora do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor/UFMG), professora Bethânia Reis Veloso.

Compenetrado no serviço, Carlos Adalberto destaca a qualidade de cada peça restaurada e aponta as cenas que mais gosta no presépio, entre elas aquela em que Jesus está serrando a madeira, sob o olhar de Jesus, enquanto Maria trabalha no tear. “Toda a madeira do mecanismo, que é acionado por um motor, foi trocado, assim como algumas destruídas pelos cupins”.

Ao lado, colocando areia branca nos caminhos que levam à história sagrada, que inclui o nascimento, a vida, a morte e ressurreição de Cristo, Célio José da Silva, também funcionário da universidade e que “deu uma força” na montagem, conta que trabalhou com Raimundo nos últimos três anos antes da morte do artesão. “Fui seu discípulo. Tenho muito orgulho de ter convivido com ele, que tinha grande capricho com sua obra”, afirma.


Religiosidade, engenho e arte

Impossível não ficar com os olhos brilhando e o coração em festa diante do Presépio do Pipiripau, que volta à cena hoje no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Bairro Santa Inês, na Região Leste. Em cena, estão peças modeladas em argila, papel machê, conchas e outros materiais movidos pelo engenhoso maquinário desenvolvido com barbante, carretéis de linha, polias, mecanismos de relógio, radiola, gramofone e outros equipamentos que Raimundo Machado Azeredo, o criador, foi conhecendo no dia a dia.

Em 1984, o presépio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Para o reitor da UFMG, Jaime Ramirez, “o Pipiripau é um dos maiores patrimônios de nossa cultura, a obra da vida de um grande artista popular. As cenas e personagens que ele construiu aliam a religiosidade do povo mineiro, a simplicidade de seu cotidiano e o deslumbre com os engenhos. À medida que ia tendo contato com as tecnologias, que rapidamente se sobrepunham no século 20, foi incorporando-as à instalação, sempre para permitir uma nova representação. Para a universidade, é um orgulho devolvê-lo restaurado a Belo Horizonte”.

Já o diretor-presidente da Unimed, Samuel Flam, diz que “além de cuidar das pessoas, também nos dedicamos a espaços que fazem parte da história e da identidade da capital, reforçando nosso compromisso social com a população e Belo Horizonte. Por isso, escolhemos participar do restauro do Pipiripau, um dos nossos patrimônios. “Estamos muito felizes com o resultado e, principalmente, em poder contribuir para esta entrega tão simbólica para os mineiros”.

RESTAURO
O presépio foi fechado em abril de 2012, quando foi executado o diagnóstico para reparo. A partir daí, foram elaborados os projetos complementares para a nova edificação, como instalações elétricas, hidrossanitárias e de prevenção a incêndio, segurança eletrônica, sonorização, sinalização de emergência, entre outros.

A restauração de todas as peças foi mapeada e registrada em vídeos e fotografias. O trabalho começou em 2014 e ficou a cargo do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais (Cecor) da UFMG, com a participação de mais de 50 bolsistas de várias áreas. Além disso, contou com o trabalho voluntário de professores do curso de engenharia elétrica e engenharia hidráulica e recursos hídricos da universidade além de outros profissionais e empresas privadas. A construção de uma passarela de acesso para cadeirantes, pintura e reforma do telhado da sede foram executadas pelo Departamento de Manutenção de Infraestrutura (Demai) da UFMG.

Cada peça recebeu uma ficha, como se fosse um “prontuário médico” e foram diagnosticadas todas as patologias e danos. “Os registros fotográficos e pequenos filmes que fizemos foram fundamentais na montagem da cenografia, para localizar a posição de todas as peças e permitir que tudo voltasse ao lugar exato”, explicou a coordenadora técnica da restauração do presépio e especialista em restauração do Cecor, Thaís Carvalho.

Anitta, a bisneta orgulhosa
Na festa de inauguração do presépio do Pipiripau, hoje, às 10h, no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, o cantor Maurício Tizumba fará uma performance com a música Três Reis.Foram convidados familiares do criador da obra, Raimundo Machado, incluindo sua bisneta famosa, Anitta. Por meio de sua assessoria, a cantora carioca informou que não poderá vir, devido a compromissos. Mas deu um depoimento ao EM: “Fico muito orgulhosa por meu bisavô ter participado dessa obra magnífica e conseguido mostrar seu trabalho artístico para tantas pessoas. Sinto como se tivesse um pedacinho de mim e da minha família em Minas. O presépio é lindo e deve ser visitado”.

 


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