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Secretário diz que superlotação dos presídios é 'hipertensão do sistema'

Francisco Kupidlowski comentou superlotação, a qual chamou de 'problema crônico' e comparou 'à diabetes ou hipertensão do sistema'. Minas tem atualmente 85,5% de presos a mais do que o número de vagas nas penitenciárias

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postado em 07/01/2017 06:00 / atualizado em 07/01/2017 09:48

Valquiria Lopes

Em meio aos massacres em presídios ocorridos nos últimos dias no Norte do país, o governo de Minas avaliou ontem como “tranquila” a situação do sistema prisional do estado. O anúncio foi feito pelo secretário de estado de Administração Prisional, Francisco Kupidlowski, depois de uma reunião de duas horas com outros chefes de segurança e com o governador Fernando Pimentel (PT), no Palácio da Liberdade. Em exatos seis minutos de entrevista à imprensa, o secretário descartou que as penitenciárias do estado enfrentem situação semelhante à dos presídios de Manaus e Roraima, apesar de “todo fim de semana ter um probleminha, uma tentativa de fuga, às vezes de motim”.

Anunciou que vai dobrar o atual número de 300 parceiros da iniciativa privada como forma de ampliar a oferta de escolas e de trabalho e emprego para os presos do sistema em atividades como artesanato, produção de blocos e costura de uniformes para dar condições efetivas de ressocialização dos internos. Atualmente, 20% deles estudam ou trabalham.

Em seu pronunciamento, o secretário resumiu a presença de membros de facções de São Paulo e do Rio de Janeiro nos presídios mineiros a cerca de “uma meia dúzia” de pessoas. “Não temos nenhuma facção da Família do Norte. facções do PCC e do Comando Vermelho existem em todo sistema carcerário nacional. Os nossos estão devidamente detectados, separados, e as providências já foram tomadas em relação a essas pessoas, que são poucas.”

Comentou o problema da superlotação, o qual chamou de “problema crônico” e comparou “à diabetes ou hipertensão do sistema”. Minas tem atualmente 85,5% de presos a mais do que o número de vagas nas penitenciárias. “Infelizmente não tem cura imediata. Amanhã pode ter uma cura, hoje tem remédio, tem tratamento”, disse o secretário. Dados da Seap mostram que são 60.776 detentos vivendo em 32.758 vagas em presídios mineiros e mais 8.486 em cadeias públicas da Polícia Civil, que ainda não foram assumidas pela Secretaria.

Levantamento feito pelo Estado de Minas mostra que foram pelo menos 11 rebeliões e fugas no ano passado, que resultaram em seis mortes, e mais um motim no primeiro dia de 2017, no presídio de Nova Lima, na Grande BH. Referindo-se à superlotação, Kupidlowski não explicou quais medidas o governo vai adotar para reduzir o impacto do deficit de vagas. O governo já havia anunciado a construção de quatro unidades em 2017, com abertura de mais 1.120 vagas.
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