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Santuário da Piedade recebe restos mortais de Irmã Benigna, rumo à beatificação

Com muita emoção e acolhidos pelos fiéis, os restos voltam ao local onde, em vida, a religiosa sofreu alguns de seus piores dias

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postado em 29/10/2016 06:00 / atualizado em 29/10/2016 07:46

Gustavo Werneck

 

Leandro Couri/EM/D.A Press

Pétalas de rosas no ar, aplausos emocionados, cânticos de louvor e muita alegria no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, na Serra da Piedade, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Fiéis participaram na tarde de ontem da missa de acolhida aos restos mortais da serva de Deus, a mineira Irmã Benigna (1907-1981), cujo processo de beatificação tramita no Vaticano. “Já há um milagre comprovado, só que o nome da pessoa ainda não foi revelado. Este dia é muito importante para o processo e temos certeza de que ela vai se tornar beata em breve”, disse a integrante da Associação dos Amigos de Irmã Benigna (AmaiBen) Belquis Campolina França Ferreira.


Eram 14h30 quando duas urnas de madeira foram levadas, em procissão, da Praça Dom Cabral até a ermida do século 18. Uma delas continha as relíquias (por ser serva de Deus, os restos da religiosa são chamados dessa forma) e a outra, os restos mortais de monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro, fundador da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, da qual Irmã Benigna fazia parte. Integrava ainda o cortejo o andor com a imagem da padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, tendo à frente o vice-reitor do santuário, padre Antônio Carlos da Silva, e a fundadora da AmaiBen, Maria do Carmo de Souza Figueiredo Mariano, que conviveu com a irmã por mais de 20 anos.


“Este é um dia histórico na Serra da Piedade, pois recebemos as relíquias de uma pessoa que se dedicou muito aos pobres, viveu com obediência a Deus e teve uma trajetória marcada pela santidade”, disse, na entrada da ermida barroca, o reitor do santuário, padre Fernando César do Nascimento. Ele explicou que hoje, às 9h, os restos mortais dos religiosos serão trasladados para o Recanto Monsenhor Domingos, pertencente à congregação e localizado aos pés da Serra da Piedade. Às 10h haverá a bênção da pedra fundamental do Memorial Irmã Benigna, seguindo-se, às 11h, missa em memória da freira e procissão até a cripta da Capela São Luiz, no Asilo São Luiz, onde ficará a relíquia.

BEATIFICAÇÃO Entusiasmada, Belquis disse que a cerimônia de ontem foi um passo importante para a beatificação de Irmã Benigna, cujas relíquias estavam no Noviciado Nossa Senhora da Piedade, no Bairro Bandeirantes, na Pampulha, em BH. “Foi aqui, na Serra da Piedade, que ela se santificou. Depois de muito sofrimento em vida, ela retorna, em glória, à Serra da Piedade”, afirmou Belquis, destacando que toda a fase diocesana do processo de beatificação já foi concluída, estando a próxima etapa a cargo da Santa Sé. De acordo com a Arquidiocese de Belo Horizonte, o Vaticano autorizou o início do processo de beatificação de Irmã Benigna em 15 de outubro de 2011 – a fase diocesana do processo foi concluída em janeiro de 2013, com o início da etapa romana. “O processo de análise do milagre é minucioso, passa por muitos médicos, mas é fundamental destacar que, desde a abertura até a conclusão, houve o tempo recorde de um ano e três meses. Tão rápido assim, só o do santo João Paulo II”, disse Belquis, confiante em um resultado positivo.


Em uma cadeira de rodas e aos 83 anos, a presidente da AmaiBen, Maria do Carmo Mariano, se recordava da amiga que, a exemplo dos mineiros Nhá Chica e Padre Victor, poderá se tornar beata. Ela se lembrou da força recebida de Irmã Benigna quando teve o filho de 3 anos desenganado pelos médicos. Com orações, ela conseguiu que o menino sobrevivesse – hoje, tem 61 anos. Ao longo do cortejo, famílias inteiras, com camisas estampadas com o rosto de Irmã Benigna e do monsenhor Domingos, falavam da admiração pela religiosa e das graças alcanças por sua intercessão.


“Para mim, ela já é santa”, disse a moradora de BH Djanira Damasceno, de 39, ao lado do marido, William de Oliveira, de 45, assistente administrativo, e dos filhos Emanuela, de 16, e Daniel, de 13. “Desde que nos conhecemos, há 21 anos, temos admiração pela Irmã Benigna. Tive uma primeira gravidez muito difícil, e foi graças à intercessão dela que tive um parto tranquilo”, contou Djanira.


Com a ermida lotada, muita gente ficou do lado de fora, no adro. Foi o caso de Eduardo de Sanchez, de 76, de Contagem, na Grande BH: “Já obtive muitas graças, sempre rezei para Irmã Benigna nos momentos de dificuldades”. Durante todo este ano, quando são recordados os 35 anos de morte da religiosa, a Amaiben e a Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade realizaram celebrações, todos os meses em memória da serva de Deus. “Estou certo de que ainda vou ver a imagem dela em muitas igrejas do mundo”, acrescentou Eduardo, com esperança.

Caminho até a santidade
» Os processos de beatificação podem ser longos e demorar quase cinco décadas, como ocorreu no caso do beato Padre Eustáquio (1890-1943), que era holandês, mas teve um trabalho pastoral e social importante em Minas, sendo beatificado em Belo Horizonte. No caso da Irmã Benigna, o trabalho está bem encaminhado, com muitas testemunhas

» Tudo começa com a fama de santidade e virtude do candidato a beato, associada a um clamor da população. Com autorização do Vaticano, os processos começam cinco anos depois da morte do candidato a beato

» Iniciada a tramitação – a pedido de uma congregação, diocese ou outra instituição ou ordem religiosa – o candidato a beato pode ser chamado de servo ou serva de Deus. É preciso haver um milagre comprovado, que a medicina não consiga explicar, além de declaração de graças alcançadas etc.

» A primeira parte do processo de beatificação se dá em nível diocesano e só depois toda a documentação é enviada para Roma para análises, verificação de procedência e outros aspectos

» Quanto termina o processo de beatificação, começa o de canonização (tornar-se santo), sendo necessária a comprovação de outro milagre

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