(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Castelinho da Floresta é restaurado e doado para programa de atendimento a menores

Prédio em estilo eclético, com inspiração art nouveau, foi construído em 1918 e estava abandonado desde um incêndio em 2002


postado em 22/09/2016 18:27 / atualizado em 22/09/2016 22:28

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

O Castelinho da Floresta, prédio em estilo eclético com inspiração art nouveau, construído em 1918 no número 210 da Rua Varginha, no Bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte, ganha mais um importante capítulo para sua história.

Inicialmente projetado para ser residência familiar, com dois pavimentos e uma majestosa torre lateral de quatro andares, o imóvel, abandonado desde 2002, quando um incêndio destruiu totalmente a cobertura da torre principal, foi restaurado pelo Instituto MRV, organização sem fins lucrativos, e doado nesta quinta-feira à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

O espaço passa a abrigar o Programa Miguilim, centro de referência na assistência a crianças e adolescentes que vivem em situação de rua, cujo objetivo principal é promover a ressocialização dos jovens e possibilitar o retorno deles às suas famílias

Durante décadas o castelinho foi ganhando outras formas de ocupação. Nos anos 1950 e 1960, funcionou como pensão e tinha como hóspedes famílias e recém-chegados à capital em busca de emprego, estudo e novas oportunidades. No final da década de 1960  até meados dos anos 80 abrigou o Hotel Palladium.

Em 1996, a casa foi tombada pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, mas caiu no abandono depois de um incêndio em 2002, cuja causa não foi esclarecida até hoje.

“Era um imóvel privado. A MRV comprou por R$ 2 milhões, reformou por mais R$ 1,2 milhão e o doou ao município. É um presente para a cidade que nos ajuda também a revitalizar o centro histórico”, disse o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que participou da solenidade de entrega do imóvel ao município. “Temos a restauração desse patrimônio que tem uma presença forte na história de Belo Horizonte e será um ponto de alto nível para atender crianças e adolescentes em situação de rua”, comentou o prefeito.

Para o presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia, Rubens Menin, o projeto é importante por ser um imóvel quase centenário, tombado como patrimônio da cidade, e também por receber o Projeto Miguilim, vencedor dentro da sua proposta, que precisa de apoio. “O prédio estava muito destruído, cheio de problemas. A fachada foi mais fácil recuperar. Já o interior, a gente procurou fazer dentro do possível", disse Menin.

Para a reforma, foi feita uma extensa pesquisa de materiais, estruturas e técnicas de restauro. Por dentro, o prédio ganhou uma estrutura moderna e funcional para atender as crianças e adolescentes. Por fora, detalhes originais foram preservados. Para isso, foi preciso apoio de uma equipe especializada em restauração da cidade histórica de Mariana, Região Central de Minas.

Os anos de abandono trouxeram consequências ao imóvel. A estrutura foi comprometida e algumas paredes e lajes precisaram ser demolidas. Parte da estrutura de madeira precisou ser retirada. Novas paredes, lajes, vigas e pilares foram erguidos. O telhado ganhou cobertura em cerâmica francesa e um novo assoalho em madeira foi instalado. Portas e janelas em madeira foram substituídas por outras exatamente iguais às originais. Toda a obra foi acompanhada pela Fundação Municipal de Cultura, para garantir que todas as características do edifício tombado fossem preservadas.

O Projeto Miguilim foi criado há mais de 20 anos. Sem uma sede própria e apoio do setor privado, chegou a ser extinto em 2014. De acordo com a coordenadora do Centro Pop Miguilim, Lílian Almeida, de janeiro deste ano a 20 de setembro foram quase 60 novos atendimentos. “A nova estrutura vai atender, de fato, as necessidades do serviço”, disse Lílian.

PARA LEMBRAR...

O Castelinho da Floresta foi projetado pelo arquiteto, desenhista e pintor italiano Luiz Olivieri, que abriu o primeiro escritório de arquitetura de BH, em 1897. Foi ele que introduziu o estilo art nouveau na capital. O Castelinho da Floresta também tem assinatura do arquiteto português Manoel Ferreira Tunes, que era marceneiro e entalhador de portas, pisos e janelas. Seu projeto mais famoso é o da Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.

 

(RG)

 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)