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Ibama prevê novos vazamentos de lama em Mariana durante as chuvas

Instituto considera praticamente impossível evitar que, no período de chuvas, mais rejeitos desçam do complexo onde ocorreu desastre, ainda que cronograma de obras seja cumprido

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postado em 31/07/2016 06:00 / atualizado em 31/07/2016 08:33

Mateus Parreiras

Leandro Couri/EM/DA Press - 30/3/16
Mesmo que a mineradora Samarco cumpra o cronograma de obras de reforço das estruturas para reter os rejeitos da Barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central, técnicos do Ibama dizem ser praticamente impossível que não vazem durante as chuvas parte ou a totalidade dos 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos ainda depositados na estrutura. A informação é do próprio superintendente do instituto federal do meio ambiente em Minas, Marcelo Belisário Campos. “Quando finalizadas essas obras, em março do ano que vem, o projeto tem capacidade para a contenção total dos rejeitos. Mas, em vista do atual cronograma, a previsão é de que devem ocorrer vazamentos e por isso requisitamos uma série de medidas complementares, para que esse material cause o menor impacto possível na natureza”, disse.

Fontes ligadas à construção dos reforços nos diques de Sela e Tulipa, barramentos responsáveis por reter os rejeitos de Fundão que não vazaram após o rompimento ocorrido em novembro de 2015, e envolvidas na implantação dos novos barramentos de Eixo e Nova Santarém, afirmam que as obras têm sido um desafio enorme e que nem o cronograma previsto estaria garantido. O perigo para os trabalhadores é tão grande no canteiro de obras, que os caminhões só podem chegar a uma certa distância, sendo que a terra que vai sendo usada para reforço e formação dos barramentos precisa ser empurrada por tratores controlados remotamente.

Com a previsão de vazamentos iminente a partir do período chuvoso, que deve começar em setembro, várias medidas para minimizar os impactos foram propostas, algumas de difícil execução, como o alteamento (ampliação da altura) do chamado dique S3, uma barragem construída em fevereiro no limite entre o terreno da Samarco e o distrito de Bento Rodrigues. “Só altear não será suficiente, por isso será preciso trazer uma draga para remover o material que foi depositado no dique (S3). Cada caminhão que sai é a garantia de mais espaço para um caminhão de rejeito que vazar”, afirma o dirigente do Ibama. O instituto quer ainda que seja feita a remoção dos rejeitos que ficaram depositados depois do S3, no Córrego Santarém. Esse é o curso d’água por onde a lama e os rejeitos de minério de ferro que vazaram da Barragem do Fundão desceram, destruindo tudo até encontrar o Rio Gualaxo do Norte.

No Gualaxo também será necessária a construção de três diques para conter uma onda de rejeitos que eventualmente se desprenda do Fundão, tentando impedir que essa massa percorra 60 quilômetros e chegue ao Rio do Carmo, em Barra Longa, e assim ao Rio Doce. “Antes, a exigência era de implantar um dique ainda neste ano, mas com a gravidade da situação, serão necessários três”, afirma o superintendente do Ibama em Minas Gerais. Duas barragens submersas precisam ser implantadas no leito da represa de Candonga para reter a água das chuvas e os rejeitos, preservando a estrutura de possível ruptura. “A possibilidade de rompimento é muito pequena, mas é preciso criar uma lâmina d’água na represa, para que as dragas possam se aproximar mais”, afirma Campos.

A Samarco informou por meio de nota que “não há vazamento de rejeitos de sua área de barragens” e lembra que vem adotando “um conjunto de medidas desde o rompimento da Barragem do Fundão, para impedir o carreamento de rejeitos para as águas dos rios, mesmo no período de chuvas”. “Entre as medidas estão a revegetação das margens dos rios, a construção dos diques de contenção, reforço das estruturas remanescentes, a construção de outras estruturas (Nova Santarém e Eixo 1) e a dragagem do reservatório da Usina Risoleta Neves (Candonga).” A companhia acrescentou que cumpre rigorosamente os prazos definidos no escopo do acordo assinado pela empresa, seus acionistas (Vale e BHP Billiton), os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo.
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