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'Vagão rosa'no metrô de Belo Horizonte divide opiniões

Projeto aprovado pela Câmara Municipal que cria espaço exclusivo para passageiras no metrô é recebido com críticas e elogios por mulheres. CBTU diz que medida é inviável

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postado em 16/07/2016 06:00 / atualizado em 16/07/2016 07:19

Valquiria Lopes

Prestes a passar pelo crivo do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), o projeto de lei que cria vagões exclusivos para mulheres no metrô da capital divide opiniões entre usuários do sistema e grupos ligados à causa feminina. A Proposta 893/2013, de autoria do vereador Léo Burguês, foi aprovada em segundo turno, na última quinta-feira, na Câmara Municipal de BH. O “vagão rosa” deverá ser destacado entre as composições que já integram o trem ou ser adicionado, a critério da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A proposta agora segue para a Comissão de Legislação e Justiça para redação final e a previsão é de que vá para  sanção ou veto do prefeito no final da próxima semana.

Entre os passageiros, o assunto gera controvérsias. Parte acredita que a separação de um vagão especial pode sanar o problema de assédio contra mulheres. Do lado favorável à implantação, a aposentada Fátima Cristina da Rocha, de 56 anos, diz que o vagão exclusivo é uma excelente medida. “Acho ótimo porque vai garantir mais privacidade para a mulher. Nunca fui vítima de assédio no metrô, mas sempre ouço histórias de mulheres que sofreram com esse problema”, afirma. A prima dela, a também aposentada Márcia Cristina da Rocha, de mesma idade, afirma que algumas de suas amigas já relataram casos de assédio. “A separação de um espaço para a mulher vai evitar esse tipo de constrangimento”, opina.

Por outro lado, há quem acredite que o problema vai além da separação de espaços. “Acho muito ruim que ainda seja preciso separar as pessoas para resolver um problema, que é cultural. A sociedade deve viver conjuntamente. A criação de um vagão separado é uma medida ineficaz e paliativa, porque não resolve a agressão que a mulher sofre”, avalia a analista de segurança Camila Rafaela Santos, de 29, que usa o metrô todos os dias. Também contrária à proposta, a operadora de caixa Raquiellen Oliveira, de 21, reclama da superlotação, uma das condições que favorece o assédio no metrô, mas diz que não vê necessidade de separar homens de mulheres. “Nunca tive problemas com isso e também não usaria um vagão exclusivo. Acho desnecessário”, diz.

A proposta também foi mal recebida por grupos feministas. Para uma das integrantes da Frente Feminista Tarifa Zero BH Luiza Souza, de 21, a medida não é eficaz. “Somos contra, pois colocar as mulheres dentro de um vagão separado não soluciona o problema do assédio. Para acabar, é preciso educação para que o homem entenda que o corpo da mulher é da mulher”, defende. Outro problema levantado por ela é a fiscalização falha, que  pode ser ineficaz para impedir o acesso de homens ao vagão rosa. “Além disso, o metrô abrange cerca de 10% da população. Como tratar disso dentro dos ônibus, por exemplo? Os ônibus também estão sempre lotados”, questiona. “Muitas mulheres não se sentem acolhidas pela CBTU em caso de assédio. Os funcionários precisam ser instruídos, a fiscalização deve ser feita e campanhas educativas precisam ser aplicadas”, completa.

CBTU é contra O projeto aprovado pela Câmara não recebeu apoio da CBTU, que administra o metrô de BH. Por meio de nota, a instituição informou que o superintendente de Trens Urbanos da CBTU Belo Horizonte, Miguel Marques, é contrário à criação de vagão exclusivo para o público feminino. De acordo com o documento, relatórios técnicos comprovam que a destinação de vagões para esta finalidade provocaria um desequilíbrio na distribuição de passageiros, impactando na operação diária e comprometendo os indicadores de qualidade. “Além disso, segundo pesquisa realizada pela CBTU Belo Horizonte, em 2014, cerca de 49,8% dos usuários de metrô são mulheres e a destinação de um vagão por trem não seria suficiente para atender à demanda. Os 10 novos trens, já em circulação no sistema, também contribuem para inviabilizar a execução da lei proposta. As novas composições apresentam leiaute diferenciado, permitindo a livre circulação de usuários entre os carros, o que dificulta essa separação”, informou a CBTU.

O texto ainda destaca que a Câmara nunca entrou em contato com a CBTU para se informar sobre a viabilidade da proposta, que também fere, segundo a CBTU, o artigo 5º, inciso I, da Constituição, que versa sobre a igualdade entre homens e mulheres, e também o inciso XV, que estabelece o direito à locomoção em território nacional, o que já a tornaria inconstitucional. O texto ainda alerta que em outros estados brasileiros, como São Paulo, foram vetadas proposições de projetos que tornam essa exclusividade obrigatória.


CANAL PARA DENÚNCIAS

Casos de assédio sexual ou qualquer tipo de violência contra mulheres podem ser denunciados pelo SMS Denúncia, também disponível para WhatsApp pelo número (31) 99999-1108. O canal de comunicação foi criado para ampliar o monitoramento da movimentação dos passageiros. O serviço conta com o apoio de mais de 250 câmeras instaladas em plataformas, trens, saguões e em diferentes áreas de acesso, operando 24 horas por dia, ininterruptamente.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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ulisses
ulisses - 16 de Julho às 22:20
Sou totalmente a favor porque muitos não tem educação e não respeita mesmo. Eu pergunto aos que são contra o que faria se soubesse que sua mulher ou filha sofressem assedio? Criticar é fácil porque ainda como disse não aconteceu com alguma parente. O mais incrível é grupos feministas serem contra?
 
TULIO
TULIO - 16 de Julho às 12:42
isso mesmo, ao invés de educar, incentivar os bons princípios, um idiota vereador inventa separar. Normal, daqui uns dias criemos o vagão dos burgueses. Ahhh, burgueses, principalmente os "léos", não andam de trem. Eles tem muito dinheiro que ganharam do seu "brilhante trabalho" público...É o negócio é não votar, é ANULAR.
 
Luiz
Luiz - 16 de Julho às 11:22
Esse tipo de medida é a coisa mais ridícula e preguiçosa que uma autoridade poderia tomar. Eu sei que muita gente bem intencionada acaba aprovando mas causa uma erro que pode ser até perigoso. Primeiro que limita o acesso das pessoas por um erro na omissão dos fornecedores desse tipo de serviço, o ônus recai no usuário novamente, outro erro é o risco de se supor que a mulher que pegar um outro vagão ou por não estarm bem informada ou por estar com muita pressa , está "disponível" e concordando em ser abusada, mais uma vez a vítima vai ser a culpada. Como somos incompetentes.
 
Marcos
Marcos - 16 de Julho às 11:08
Não entendo mais nada. Estão lutando por igualdades em todos os setores e agora desejam aprovar uma medida que acentua exclusividade ou preconceito. O problema desse país chama-se EDUCAÇÂO. Qualquer medida como esta não passa de paliativo e fuga de responsabilidades das pessoas envolvidas em fiscalizar e evitar essas situações. Não creio que isso irá resolver o problema a longo prazo, muito pelo contrário. Aumentará a discriminação.
 
sandro
sandro - 16 de Julho às 11:04
Lei idiota . Vao fazer ala especial nos onibus tambem? Afinal sao mais apertados e andam por trechos mais vulneraveis.
 
Ademilton
Ademilton - 16 de Julho às 10:55
Certíssimo! Quero saber onde colocar sapatas e boiolas!
 
JOSE
JOSE - 16 de Julho às 09:27
A origem de tudo isso, está na atrás, que insistem em não investir : EDUCAÇÃO
 
JOSE
JOSE - 16 de Julho às 09:24
Quando o Estado não consegue combater o ilícito,ele inventa moda..... Neste caso do metrô, bastaria acrescentar mais vagões,para todos os passageiros irem sentados....
 
Ferdinando
Ferdinando - 16 de Julho às 15:39
Deve estar de brincadeira né ? Comentário mais tosco que vi até agora.
 
Ferdinando
Ferdinando - 16 de Julho às 15:39
Deve estar de brincadeira né ? Comentário mais tosco que vi até agora.
 
Ferdinando
Ferdinando - 16 de Julho às 15:39
Deve estar de brincadeira né ? Comentário mais tosco que vi até agora.
 
JOSE
JOSE - 16 de Julho às 09:20
É uma forma de segregação.....
 
Jadir
Jadir - 16 de Julho às 08:45
Acho que a população de Belo horizonte não deveria chamar esse trenzinho de Metrô.
 
Ademilton
Ademilton - 16 de Julho às 11:05
Vai para o Rio recalcado! Esse é o melhor metrô do mundo, ganhando de NY e Paris. Ganha do expresso do oriente, poe Londres no bolso! PS. tive alta ontem!
 
Ramon
Ramon - 16 de Julho às 08:31
Certíssimo ! só tem de tomar cuidado com as sapatões gordas de cabelos curtos achando que são machas .
 
Ademilton
Ademilton - 16 de Julho às 11:02
Você é Ramona de dia, mas à noite, Ramon!