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Estado de Minas

Suspeito de atirar em Ana Hickmann multiplicava perfis em redes sociais

Fã morto ao invadir quarto da apresentadora aparentemente mantinha relacionamento imaginário. Família nunca desconfiou de qualquer problema


postado em 23/05/2016 06:00 / atualizado em 23/05/2016 08:21

Suspeito de ter invadido hotel de Ana Hickmann em BH, Rodrigo Augusto de Pádua (foto: Facebook/Reprodução )
Suspeito de ter invadido hotel de Ana Hickmann em BH, Rodrigo Augusto de Pádua (foto: Facebook/Reprodução )
Uma mistura excessiva de admiração e obsessão parece ter sido o que levou Rodrigo Augusto Pádua, de 30 anos, ao Hotel Caesar Business, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na esperança de se aproximar da apresentadora Ana Hickmann, de 35. Natural de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Rodrigo, que foi morto durante a invasão ao quarto da modelo, estava desempregado e foi descrito pelo irmão como uma pessoa tranquila, que nunca teve problema com ninguém e que passava a maior parte do tempo dentro de seu quarto nos últimos meses.

Porém, silenciosamente, em perfis de redes sociais, Rodrigo destinava sucessivas mensagens à apresentadora gaúcha. Os posts alternavam elogios e xingamentos. Em uma das diversas contas que mantinha, todas as 64 mensagens foram postadas em maio do ano passado e direcionadas ao perfil de Ana Hickmann. “Eu sempre te tratei com tanto carinho! Sempre te tratei como uma princesa! Sempre quis te trazer um pouco de felicidade! Por que isso?”, postou, em 7 de maio de 2015.

No mesmo dia, ele postou outras mensagens atacando a apresentadora, como se já tivesse alguma relação com ela, o que vem sendo descartado pelos investigadores. “Você usa e, quando enjoa, joga fora. Medo de você. Eu não mereço ser tratado assim, sou uma pessoa do bem, de bom caráter. Você não merece meu amor. Monstro”, escreveu. Logo em seguida, ele publicou várias fotos de Ana Hickmann com a frase “Você é um monstro”. Em nenhuma das mensagens, a apresentadora ou sua assessoria respondeu. A obsessão se repetia na conta do Instagram, onde as fotos e textos dirigidos à modelo por Rodrigo se multiplicavam.

Seu irmão Helisson Pádua – que esteve no hotel para identificar Rodrigo depois que ele foi morto em confronto com o cunhado da apresentadora, Gustavo Henrique Bello – afirmou que familiares descobriram recentemente sua obsessão por Ana Hickmann. Porém, segundo ele, ninguém imaginava que Rodrigo tentaria se aproximar dela. “Ele veio a BH para conhecer a cidade. Minha mulher descobriu que ele se correspondia pelas redes sociais com a Ana Hickmann, mas a gente nunca desconfiou de que isso fosse algum problema. Era uma pessoa boa, estava sem trabalhar, mas nunca teve problema com ninguém, era um cara normal”, contou.

O corpo do rapaz foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) na manhã de ontem e chegou por volta das 12h a Juiz de Fora, onde ele morava com os pais. O sepultamento está marcado para hoje, às 9h. Segundo fonte ouvida pelo Estado de Minas, necropsia no corpo confirmou que Rodrigo levou três tiros. Exame feito na madrugada de ontem no IML indica que os disparos acertaram a nuca. Dois foram feitos à distância e um, com o revólver encostado no corpo.

Helisson afirmou que Rodrigo nunca teve armas de fogo. A polícia ainda apura como ele teve acesso ao revólver calibre 38, com numeração raspada, que foi usado para render as vítimas no hotel. Segundo o delegado Flávio Grossi, que investiga o caso, as imagens do hotel serão analisadas hoje por peritos da Polícia Civil e ainda nesta semana devem ser ouvidos familiares de Rodrigo, assim como Giovana Oliveira, assessora da apresentadora, que se feriu no ataque, caso suas condições médicas melhorem.

“Passagem ao ato”  O professor de psicanálise Fábio Belo, coordenador do curso de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, avalia que casos como o de Rodrigo de Pádua são marcados pelo que especialistas chamam de “passagem ao ato”, quando alguém que alimenta alguma ideia delirante toma uma atitude para dar amplitude e colocar em prática seu delírio. “Essa ideia pode ter um conteúdo erótico e maníaco, do tipo: eu já te conheço, você me ama, você é minha namorada, minha mulher, mesmo que as pessoas envolvidas não tenham qualquer contato”, explica Fábio.

O especialista ressalta que o caso é muito particular e que não é comum esse tipo de atitude que leva uma idolatria ou admiração ao extremo. “É muito incomum alguém que ama outra pessoa e acaba por atacá-la. A passagem ao ato raramente acontece. Por isso, precisamos afastar a ideia, que muitas vezes é disseminada, do louco perigoso. Em 99% dos casos de psicose não ocorrem episódios de periculosidade e as paixões por ídolos não levam à violência.”

Para ele, o caso tem elementos de uma cultura brasileira marcada pela luta de gênero, em que a mulher deve se submeter à vontade do homem. Segundo o professor, o acesso facilitado ao ídolo por meio das redes sociais, com grande conteúdo de imagens disponíveis sobre a vida dessas pessoas, é mais um aspecto nas relações de admiração dos dias de hoje.

“No entanto, o problema aumenta quando um indivíduo quer impor sua vontade sobre o outro, uma questão que vai além da internet. São elementos da cultura que acabam justificando essa passagem ao ato. Um homem atacando uma mulher bem-sucedida, emancipada e independente. Aspectos comuns nos casos de violência de gênero”, avalia Fábio.

Postagens de uma fixação

Rodrigo mantinha vários perfis no Twitter (abaixo). Assimo como neles, no Instagram as mensagens direcionadas a Ana Hickmann se sucediam



No twitter
Maio de 2015
@ahickmann Sabe que Deus tira as pessoas ruins de perto de quem é bom? Pois é, ele me tirou de perto de vc. E não fique achando que eu sou ruim. Porque quem tem aliança no dedo é você

@ahickmann Eu nunca me senti tão humilhado como agora. Vc respondeu pessoas que eu nunca vi te escrevendo e me ignorou! O que eu fiz para vc?

Fãs psicopatas:
Caso Aimée
Em Paris, no início dos anos 1930, uma mulher de 38 anos atacou com facadas uma atriz de teatro quando ela entrava em uma casa de shows. O caso despertou grande interesse entre psiquiatras europeus e foi estudado pelo psicanalista Jacques Lacan, que criou o pseudônimo “Aimée” para sua paciente. Em entrevistas ao especialista, ela contou que estava sendo perseguida e que atores e atrizes de teatro estavam espalhando boatos sobre ela. No entanto, nunca tinha tido contato com sua vítima. O caso foi um dos primeiros do tipo a serem estudados profundamente por especialistas em psicanálise.

Mônica Seles

Em 1993, a tenista sérvia naturalizada norte-americana Mônica Seles foi apunhalada por Gunter Parche, um psicopata obcecado pela tenista rival Steffi Graff. O ataque ocorreu no meio da quadra de tênis, durante uma partida. Mesmo recuperada dos ferimentos, Seles ficou afastada do tênis por dois anos. Parche foi condenado, mas não ficou preso, uma vez que foi considerado doente mental pela Justiça alemã. Foi levado para uma instituição para tratamento psicológico.

John Lennon
O cantor e compositor britânico foi assassinado com quatro tiros na porta de seu apartamento, em 1980, na cidade de Nova Iorque. O assassino, Mark Chapman, era fã do artista e dos Beatles e tinha pedido um autógrafo no mesmo dia. Ele alegou ter “ouvido vozes” e disse que visitava a entrada do apartamento de Lennon, em frente ao Central Park, várias vezes por dia. Chapman, no entanto, nunca foi diagnosticado como perturbado mentalmente e foi condenado a prisão perpétua. Em outros depoimentos, afirmou que matou John porque o ex-Beatle blasfemou ao se dizer maior do que Jesus. 

 

 


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