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Samarco afirma que tem condições de voltar a operar ainda neste ano

A informação foi confirmada pela empresa durante entrevista coletiva nesta terça-feira, quando se completam cinco meses da tragédia em Mariana, na Região Central de Minas

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postado em 05/04/2016 15:00 / atualizado em 05/04/2016 21:28

João Henrique do Vale , Mateus Parreiras

No dia em que a tragédia de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, que deixou 18 pessoas mortas e um desaparecido e arrasou comunidades, completa cinco meses, a Samarco, responsável pela barragem que se rompeu, fez um balanço das medidas tomadas pela mineradora. A empresa apresentou o que tem feito nas questões ambientais, pessoal e na reconstrução dos distritos. Além disso, informou que tem condições de voltar a operar sem utilizar as barragens de Germano e Fundão.

Segundo a Samarco, um pedido de licenciamento para utilizar as cavas de Alegria e Germano já foi feito, para mostrar a segurança da operação. A previsão da empresa é que os serviços retornem no último trimestre com dois terços da capacidade total.

A empresa informou que está trabalhando para criar a fundação de direito privado responsável pelos programas de recuperação até 2 de agosto. Os recursos da Samarco estão garantidos pela Vale e BHP Billinton. Em entrevista coletiva nesta terça-feira, a empresa afirmou que agirá em duas frentes: socioeconômica e socioambiental.

Nessa segunda-feira, o Ministério Público de Minas de Gerais (MPMG) entrou com uma ação judicial na 2ª Vara da Fazenda Pública para forçar a Samarco a tomar medidas para interromper imediatamente o vazamento de lama e rejeitos que vem poluindo a Bacia Hidrográfica do Rio Doce desde que a Barragem do Fundão se rompeu, em 5 de novembro. Uma das propostas do MP é que a mineradora construa um novo dique de decantação para sedimentar a lama num ponto entre a Barragem de Santarém e Bento Rodrigues, o distrito mais arrasado pela tragédia, de forma a preservar a memória das vítimas, do acidente e o patrimônio histórico que vem sendo recuperado.

O Estado de Minas mostrou, na última semana, que a lama e rejeitos ainda desciam pelos córregos que vinham das barragens do Fundão (que foi rompida) e de Santarém (atingida pelo rompimento). Por causa das chuvas acima do previsto pelos engenheiros da mineradora, os dois primeiros diques acabaram completamente aterrados, segundo o Ibama, indicando que o terceiro estaria recebendo carga acima do projetado. Durante a entrevista coletiva, a Samarco contradisse o MPMG e o Ibama e afirmou que não há mais sólidos descendo para os rios abaixo das barragens.

Ações da mineradora

O balanço da Samarco apresentado nesta tarde mostra que 225 pessoas das comunidades atingidas foram contratadas pela empresa para empregos. As escolhas se deram levando em consideração a profissão, escolaridade e interesse de cada morador. A parceria com o Sesi, Senai e Fiemg já rendeu a formação de 220 jovens em cursos profissionalizantes de construção civil e gastronomia. Estão previstas, para os próximos dois meses, novas turmas de cursos de costura, informática, manicure e artesanato.

A Samarco informou ainda que, para ajudar de forma emergencial as vítimas da tragédia, já distribuiu 4.726 cartões de auxílio financeiro. Ele é composto por um salário mínimo, mais 20% do salário mínimo para cada dependente e o valor da cesta básica calculado pelo Dieese. Do total, 540 foram entregues para moradores de comunidades de Mariana, Bara Longa e Rio Doce. O restante foi dado a pescadores e famílias ribeirinhas.

Sobre a reconstrução de Bento Rodrigues, a comunidade mais atingida pelo mar de lama que desceu da Barragem do Fundão, a empresa informou que o terreno onde será erguido o novo distrito será escolhido pelos moradores ainda neste mês. Como o Estado de Minas mostrou no fim de março, se depender das 300 famílias desalojadas, suas novas moradias ficarão em uma área de 100 hectares pertencente à siderúrgica Arcelor Mittal, a 12 quilômetros do Centro da cidade colonial e a 10 do subdistrito arrasado pela lama.

Em Barra Longa, a empresa informou que todos os acessos foram limpos e ainda passam por manutenção. As casas no Centro do município já foram limpas, assim como a principal praça da cidade. Está sendo feito um processo participativo com a comunidade para um novo projeto arquitetônico para o local.

Na área agrícola, foram entregues 1,8 mil toneladas de silagem de milho ensacadas para os moradores, além de fubá, feno, farelo de trigo, farelo de soja e ração para cachorro, cavalo e vaca leiteira, entre outros. Ao todo, 3 mil animais foram atendidos nas fazendas da região e 107 mil cercas instaladas nas propriedades rurais.

Meio ambiente

A mineradora informou que já foi feita a revegetação de 80% das áreas impactadas, o equivalente a 640 hectares dos 800 previstos ao longo dos rios Doce, Carmo e Gualaxo. Na Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, a Candonga, foram iniciados os trabalhos para a dragagem de 500 mil metros cúbicos de sedimentos dos reservatórios.
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Marco
Marco - 07 de Abril às 08:23
Cambada de exploradores e inescrupulosos. Essa mineradora - SAMARCO - fez o que fez, não recuperou nada, acabou com o RIO DOCE e com parte da VIDA MARINHA no litoral capixaba e vai voltar a operar, numa boa.