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Estado de Minas

PF faz buscas na Samarco em investigação sobre tragédia de Mariana

Arquivos digitais foram recolhidos em escritório de Mariana, e em Anchieta, no Espírito Santo. Mandados foram cumpridos na casa de um engenheiro da empresa


postado em 17/02/2016 16:38 / atualizado em 18/02/2016 07:38

A lama de rejeitos provocou estragos em dezenas de municípios(foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)
A lama de rejeitos provocou estragos em dezenas de municípios (foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)

Equipes da Polícia Federal (PF) cumpriram nesta quarta-feira mandados de busca e apreensão em escritórios da empresa Samarco, dona da Barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, que se rompeu em 5 de novembro, deixando 17 mortos, dois desaparecidos e culminando na maior tragédia ambiental do país. A ação aconteceu na cidade mineira, em Anchieta, no Espírito Santo, e na casa de um engenheiro da empresa. As buscas fazem parte do inquérito que investiga os danos ambientais causados pelo rompimento.

Os agentes fizeram a quebra de sigilo telemático com objetivo de analisar o monitoramento da barragem e se havia indicativos de problemas, além de verificar a cadeia de comandos. “Havia indícios de que a barragem tinha problemas”, disse o delegado Roger Lima de Moura, da Delegacia de Combate a Crimes de Meio Ambiente Patrimônio Histórico, responsável pelas investigações.

O engenheiro que foi investigado participava do processo de declaração de estabilidade da barragem. “Desde 2009, mesmo que a Samarco tenha atuado para sanar essa questão, a Barragem sempre apresentou problemas de drenagem com a água. Há indícios que ela não era saudável, sempre teve problemas. Mesmo com esse indicativo, a empresa ampliou a produção da barragem havendo o interesse de unificar com a Germano”, afirmou o delegado.

O inquérito da PF foi prorrogado por mais 40 dias. Roger Lima não descartou a possibilidade de acareação entre o presidente afastado da Samarco, Ricardo Vescovi, e o diretor de Operações, que também foi afastado, Kleber Terra. Em 5 de fevereiro, a Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis da Samarco, em Belo Horizonte, Mariana e em Vitória, no Espírito Santo. Na ocasião, foram recolhidos dados armazenados em computadores.

No fim do mês passado, o Estado de Minas revelou com exclusividade que o relatório da PF aponta "dolo eventual" – quando se assume o risco, mesmo sem intenção de que o crime aconteça – da Samarco, proprietária da barragem, na tragédia de Mariana. A polícia já responsabilizou seis funcionários da mineradora, incluindo o presidente afastado, Ricardo Vescovi.

Nessa terça-feira, o delegado Roger Lima de Moura, da Delegacia de Combate a Crimes de Meio Ambiente Patrimônio Histórico, não descartou novos indiciamentos. "Como a investigação não terminou, pode ser que haja sim. Estamos continuando com as investigações a cada dia, apurando coisas novas, ouvindo mais pessoas e fazendo novas diligências", disse.

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