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Foliões em contagem regressiva para cair no carnaval de BH

Em sintonia com a expectativa da maior festa da cidade vale improvisar na fantasia, construir o próprio 'carro alegórico' e até aprender a tocar surdo para não fazer feio na bateria dos blocos

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postado em 03/02/2016 20:30 / atualizado em 04/02/2016 17:24

Estado de Minas

Cristina Horta/EM/D.A Press

Falta pouco para que os tambores da folia de fevereiro comecem oficialmente a soar e os belo-horizontinos estão com os preparativos em dia. Com pelo menos 200 opções de blocos para todos os gostos, desde os que curtem o pop até os que preferem o samba tradicional, este ano será difícil ficar em casa. De acordo com a Belotour, a expectativa é de que a capital mineira supere o número de foliões que festejaram no ano passado e receba um público de 1,6 milhão de pessoas.

Uma das perguntas mais frequentes entre os festeiros nas vésperas do carnaval é: “Com que fantasia eu vou?”. Para responder à dúvida, lojas de Belo Horizonte estão cheias de opções para montar o figurino, indo dos chapéus, às tintas, passando por arcos, óculos e purpurina. O músico e estudante de jornalismo Rafael Bonnano, de 23 anos, revirou os estabelecimentos populares de festas com uma meta: quatro fantasias para quatro dias de folia. Dispensou os apetrechos caros e investiu na criatividade: pirata, caçador, turista europeu e equipe de filmagem.

Com o gasto aproximado de R$ 40, o músico dá a dica: "Tem que garimpar”. “Estamos combinando simular uma equipe de filmagem e fazer algumas imagens pessoais do carnaval enquanto nos divertimos, fingindo ser gente importante", brincou Rafael, que participa da folia de Belo Horizonte há quatro anos. Orgulhoso com o crescimento da festa na capital e com grande expectativa para o carnaval de 2016, ele ressalta: "Eu opto por passar aqui, pois gosto de valorizar a cena cultural da minha cidade."

Já a artesã Thalita Coutrin, de 23, deixou as lojas de lado e investiu na máquina de costura. Aproveitou seus dotes para confeccionar a própria fantasia e faturar também com as vendas. “Já costuro desde novinha, sempre gostei de fazer minhas roupas”, contou. É a primeira vez que ela investe no figurino para pular na avenida e neste ano a inspiração saiu diretamente do fundo do mar: sereia. Com direito a coroa de conchas, top e cauda, ela explica que escolheu o tema porque a figura mítica simboliza o lado feminino e encantador da mulher, além de ser tendência do verão. A artesã, que já usa redes sociais para vender biquinis feitos por ela, agora divulga o trabalho para o carnaval e espera boas vendas.

O carnaval mineiro conquistou até os que não gostavam da farra. Um exemplo é o advogado Victor Gambogi, de 24, que se rendeu às festas em 2014 e está muito animado com o carnaval deste ano. Os preparativos estão a mil para a construção de um carrinho que irá sustentar bebidas e uma caixa de som. "Desde 2014 eu e alguns amigos tivemos a ideia de pegar um carrinho, do tipo de supermercado, para levar os coolers da galera e não precisar ficar carregando peso, além de guardar tudo o que a gente quisesse, como canecas e fantasias”, contou o jovem, garantindo que a versão 2016 do “camarote”, como foi apelidada a engenhoca, evoluiu.

Cristina Horta/EM/D.A Press
O projeto de construção do carrinho com rodas de bicicleta e corpo de madeira reuniu 10 amigos. "Este ano quisemos construir o corpo do carrinho nós mesmos, para poder colocar umas rodas bacanas de bicicleta e ficar mais fácil para empurrar. Fizemos os compartimentos para o cooler, para hastear a bandeira do grupo, para o som, etc. Vamos adicionar uma bateria de carro para ter mais autonomia com o som, uma máquina de fumaça e um aparelho de luz de laser para ficar mais engraçado", disse o advogado, acrescentando que no ano passado o grupo precisava recarregar a bateria do som em bares e restaurantes.

Luciana Peres, de 35, fisioterapeuta, também está na maior expectativa com o carnaval de 2016. Ela se empenhou e enfrentou o desafio de aprender a tocar "surdo", um tipo de tambor, em um pouco mais um mês, para entrar nos bloquinhos e cair na festa. Foliona de Belo Horizonte desde 2013, este ano ela escolheu o instrumento por não ser a preferência entre iniciantes. "Escolhi o surdo porque estavam precisando mais desse instrumento, já que a maioria que começa escolhe os tamborins, por serem leves e parecerem ser mais fáceis de tocar", contou.

Samba, reggae, funk, não tem ritmo que Luciana não bata no tambor. A fisioterapeuta conciliou os ensaios dos blocos, a ajuda dos veteranos e a dedicação assistindo a vídeos na internet para praticar com o surdo. Mas, engana-se quem pensa que foi fácil: "Quando fui ao primeiro ensaio, pensei em vender o surdo, porque pensei que era muito complicado de carregar e que eu não ia poder me divertir. Já tinha anunciado a venda, mas continuei indo aos ensaios e cada vez gostando mais do instrumento", afirmou Luciana, que pretende investir em aulas para aperfeiçoar o batuque mesmo após o carnaval.

Ela gostou tanto de aprender a tocar o instrumento que não se conteve em se apresentar em apenas um bloco. Já tem presença confirmada no Então Brilha e no Tchanzinho da Zona Norte, além de estar com o coração divido entre o Baianas Ozadas e o Beiço do Wando, que se apresentarão em horários próximos na segunda-feira.

A expectativa é a melhor possível: "Vai ser o melhor carnaval de todos os tempos. Apesar das dificuldades que o país está vivendo, este é um momento de alegria, de confraternização e harmonia entre as pessoas. Então 'bora carnavalizar, porque o carnaval de BH já começou!"
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