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PF aponta que equipamentos para medir pressão de barragens não funcionaram em Mariana

Segundo inquérito sobre a tragédia, não houve leitura manual na semana do rompimento

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postado em 30/01/2016 11:00 / atualizado em 30/01/2016 11:14

Daniel Camargos /

Jair Amaral/EM/D.A Press

Um dos principais argumentos da Polícia Federal para considerar que houve dolo eventual por parte da Samarco e de seis funcionários foi a falta de monitoramento efetivo da Barragem do Fundão. Uma série de falhas nos piezômetros – equipamentos usados para medir a pressão das barragens – deixou a empresa sem informação dos riscos que a estrutura apresentava, sustenta a PF.


A Barragem de Fundão tinha dois tipos de piezômetros: manuais e automatizados. A maioria dos equipamentos era manual e funcionários faziam a leitura de seus resultados semanalmente. Já os automáticos enviavam os dados de seis em seis horas. Porém, segundo o relatório da PF, na semana do rompimento da barragem os piezômetros automatizados estavam em manutenção e os funcionários da empresa não realizaram a leitura manual.

O coordenador técnico de Planejamento, Wanderson Silvério Silva, e monitoramento da empresa afirmou, em depoimento prestado à Polícia Federal, que desde agosto as obras realizadas na barragem interferiam nos sinais. “Só tem leitura dos instrumentos automatizados até o dia 2 de novembro”, afirmou o coordenador. Nos dias 3, 4 e 5 de novembro nada foi registrado no sistema automático dos piezômetros, pois os equipamentos estavam em manutenção.

A barragem se rompeu no dia 5 de novembro, uma quinta-feira. Segundo o funcionário interrogado pelo delegado da PF, a última leitura manual de Fundão foi feita no dia 26 de outubro, uma segunda-feira. Embora a previsão era de que a leitura manual fosse feita semanalmente, a seguinte avaliação estava marcada apenas para o dia 6 de novembro (sexta-feira), 11 dias depois.

Os funcionários da Samarco interrogados pela PF divergem sobre a quantidade de piezômetros manuais e automáticos instalados na Barragem de Fundão. Wanderson afirmou que existiam entre 72 e 74 instrumentos, sendo 20 automatizados. Já o encarregado da Coleta de Campo, Pedro Henrique Costa Gomes, outro funcionário afirmou que 70% dos piezômetros instalados eram automatizados. Em nota, a mineradora esclareceu que havia 74 piezômetros, dos quais 25 automatizados. “Os engenheiros tinham conhecimentos das inconsistências de dados dos piezômetros automatizados; que inclusive foi solicitada a manutenção”, garantiu Pedro.

Os delegados da PF responsáveis pelo inquérito destacam no relatório que, apesar do conhecimento dos problemas técnicos nos piezômetros automatizados, os engenheiros não estabeleceram mudanças na periodicidade do exame dos instrumentos manuais. “Por que a coleta manual de dados não foi feita?”, questiona a PF no relatório.

Manutenção Ao ser interrogado, o coordenador de monitoramento respondeu que a leitura não foi feita nos dias 3,4 e 5 de novembro porque os técnicos estavam acompanhando a empresa contratada para manutenção dos piezômetros automatizados que começaram apresentar problemas em agosto, quando foram iniciadas as obras na barragem. O gerente-geral da Samarco, Wagner Milagres Alves, disse, em depoimento à PF, que só ficou sabendo que as redes de transmissão dos dados dos piezômetros automáticos estavam com problemas após o rompimento da barragem. Perguntado pelos delegados sobre a razão de um período de 11 dias sem leituras manuais, uma vez que os aparelhos automatizados estavam com problemas, o gerente-geral respondeu que não sabia informar.

Samarco diz que
indiciamento é
‘despropositado’


A Samarco afirmou, em nota, que não concorda com o indiciamento, pois foi decidido em relatório parcial, baseado em dados colhidos até meados de dezembro. “Após essa decisão, vários esclarecimentos foram prestados em novos depoimentos e documentos juntados, todos a afastar os fundamentos do indiciamento”, afirma a empresa em nota. A empresa entende que a alegação de dolo eventual no crime ambiental é “despropositada e absurda, pois a Samarco, seus técnicos e consultores jamais poderiam supor que pudesse ocorrer um acidente dessa dimensão nem assumiriam o risco da sua ocorrência, pois absolutamente nada justificaria assunção do risco de enfrentamento de problemas como os que a empresa está a enfrentar neste momento”.

Sobre a frequência da leitura dos piezômetros, a Samarco afirma que era maior do que a recomendada no manual de operações elaborado pelo projetista e consultor da barragem, Joaquim Pimenta de Ávila. “Além disso, as leituras dos instrumentos de monitoramento sempre atestaram a estabilidade da barragem e jamais houve alerta de iminente risco de sua abrupta ruptura”, afirma a empresa em nota.

 

 

 

 

 

Liquefação
é hipótese
provável


Segundo o relatório da Polícia Federal, a hipótese mais provável para o rompimento da barragem é a liquefação (transição para o estado líquido dos rejeitos sólidos). A PF considera que a Samarco foi avisada da possibilidade em 2014, quando o consultor Joaquim Pimenta de Ávila, projetista da Barragem do Fundão e proprietário da empresa que fez o plano de operação da barragem, alertou a Samarco que a mineradora “estava construindo um reforço calculado segundo uma metodologia que não levava em consideração a liquefação na fundação do dique”.

De acordo com a PF, Pimenta destacou que o projeto original da barragem foi alterado, criando um recuo que não estava previsto. “Com essa intervenção drástica, não mais se poderia aplicar o plano de operações desenvolvido para uma barragem linear, mas, sim, deveria ter sido feito outro plano de operações”, indica trecho do relatório da PF, com base no depoimento do engenheiro.

MP toma depoimento Indiciado pela PF e afastado da presidência da Samarco, Ricardo Vescovi prestou depoimento ontem no Ministério Público de Minas Gerais por quatro horas. Ele começou a responder às perguntas do promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto às 15h10. Respondeu a última por volta das 19h. Vescovi entrou e deixou a sede do MPMG sem conversar com a imprensa. O promotor também não concedeu entrevista.

Carlos Eduardo também faria ontem a oitiva do ex-diretor de operações Kléber Terra, agendada para 17h. Em razão da demora no depoimento anterior, a oitiva foi transferida para a próxima semana. Ele também deixou a sede do MPMG sem conversar com a imprensa. Ricardo Vescovi deixou a presidência da Samarco em 20 de janeiro. Ele foi indiciado pela PF por crime ambiental no dia 13. (DC e Paulo Henrique Lobato)

 

 

Deputados veem risco de deslizamentos

Há risco de uma nova movimentação de rejeitos, com chances de causar deslizamento e rompimento em barragens da mineradora Samarco em Mariana, na Região Central de Minas. A constatação foi feita por deputados da Comissão Extraordinária das Barragens, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que visitaram ontem a Barragem do Fundão, onde houve deslocamento de cerca de um milhão de metros cúbicos de rejeitos na quarta-feira. Na análise sobre a movimentação de lama, que passou pela Barragem do Fundão e chegou à de Santarém, o deputado e presidente da comissão, Agostinho Patrus Filho (PV), alertou para o risco de novos deslocamentos. “Outros milhões de metros cúbicos ainda estão depositados lá, também sob risco iminente de um rompimento. Esse risco aumenta cada vez mais com o volume das chuvas, que tem sido muito expressivo nas últimas semanas” disse o parlamentar.Ainda segundo o deputado, cerca de 20 milhões de metros cúbicos de lama ainda podem escorrer da Barragem do Fundão, o que pode ocasionar mais danos às outras duas estruturas, de Santarém e Germano. Em 5 de novembro, com o rompimento da Barragem do Fundão, cerca de 34 milhões de metros cúbicos devastaram os locais por onde passaram, causando o maior desastre socioambiental do país. Em nota, a Samarco afirmou que as estruturas das barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis e que são monitoradas 24 horas por dia, durante toda a semana. Segundo o texto, a movimentação de quarta-feira foi causada pelas chuvas na região e que as defesas civis de Mariana e Barra Longa foram imediatamente informadas. (Rodrigo Melo)
 
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José
José - 30 de Janeiro às 13:59
Ah ! Não diga ? ? ? E quem autorizou ela fazer ESTA DESGRAÇA ? ? ? ? - - - - - NADA NÉ ! ! ! - - - - -> VIVA O ENGAVETAMENTO ! ! !
 
Roberto
Roberto - 30 de Janeiro às 12:14
Se a barragem fosse a fonte de geradora de capital (dinheiro, com é o caso da hidroelétricas) o tratamento e atenção dada para barragem seria o máximo possível. Porém rejeitos não interessam as mineradoras pois o recurso vem do minério concentrado. É a pior forma de aprender a não só visar lucros de forma irresponsável, deveriam ter dado mais crédito a barragem e ao ambiental.