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Responsável pela Barragem do Fundão diz que alertou Samarco sobre risco de rompimento

A mineradora informa que cumpriu as medidas de segurança sugeridas pelo especialista

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postado em 16/01/2016 20:34 / atualizado em 16/01/2016 21:32

Estado de Minas

O engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila, responsável por projetar a estrutura da Barragem do Fundão, que se rompeu em novembro do ano passado, em Mariana, disse, em depoimento à Polícia Federal (PF), que alertou a Samarco sobre os riscos um ano antes do maior desastre socioambiental da história do país. O especialista afirmou ter informado à mineradora que a situação observada era “severa” e “necessitava uma providência maior do que a que estava sendo tomada”.

O jornal Folha de São Paulo teve acesso ao documento da PF que contém o depoimento do engenheiro. Ávila disse que teve conhecimento da “trinca” em setembro de 2014, quando atuava como consultor da empresa. Ele recomendou que fosse feito um redimensionamento do reforço na estrutura, além da instalação de ao menos nove piezômetros – instrumentos que medem a pressão da água no solo – e o acompanhamento diário da posição do nível de água.

No depoimento, o engenheiro disse ainda que solicitou à atual responsável pela Barragem do Fundão, Daviély Rodrigues Silva, os cálculos do que foi feito. Em resposta, a engenheira teria dito que os dados haviam sido perdidos porque o disco rígido do computador da empresa havia queimado. Ele não especificou, no entanto, a data em que isso ocorreu.

Daviély e outras seis pessoas, além do diretor presidente da Samarco foram indiciados no último dia 13, pela PF, por crime ambiental. A assessoria de imprensa da mineradora informou, na data, que não concorda com o indiciamento dos profissionais porque até o momento não há uma conclusão pericial técnica das causas do acidente.

Sobre a declaração do engenheiro Joaquim Ávila à PF, a Samarco disse, em nota, ter cumprido todas as medidas sugeridas por Ávila, inclusive a instalação de 12, em vez de 9, piezômetros no local indicado.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Carlos
Carlos - 17 de Janeiro às 11:03
Essas empresas lucrativas ao extremo terceirizam tudo, cortam custos e muitas vezes subestimam e negligenciam riscos, como citado pelo engenheiro. As consequências econômicas e sociais estão aí . Infelizmente alguma coisa ruim tem que acontecer ....
 
Roberto
Roberto - 16 de Janeiro às 21:50
Instalação de piezômetros para monitoramento é o BÁSICO e já dever existir este monitoramento durante a construção, vida útil sua desativação.